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Morte de indígena em operação da PF no Estado ainda não foi esclarecida

Representante do Ministério Público Federal participou, ontem, de audiência pública realizada Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados para discutir a ação policial que ocasionou a morte de um indígena da etnia Munduruku, em Mato Grosso. O objetivo foi o de entender o que aconteceu no dia 7 de novembro do ano passado, quando a Policia Federal deflagrou a Operação Eldorado, que objetivava desarticular uma organização criminosa dedicada à extração ilegal de ouro, no Estado.

Na ocasião, o MPF esclareceu os procedimentos adotados na investigação do caso, que atualmente aguarda a exumação do corpo do indígena Adenilson Kirixi Munduruku para verificar as circunstâncias da morte e dar continuidade ao processo. "Passada essa etapa do processo, conseguiremos entender o que aconteceu no dia 7 de novembro, e em sequência buscar a responsabilização criminal dos envolvidos no homicídio do indígena, além dos danos morais ao povo Munduruku", declarou o procurador da República Felipe Bogado.

Além do procurador, compuseram a mesa o cacique da Aldeia Teles Pires, Natã Munduruku, a assessora especial do presidente do Ibama, Verônica Tavares, o deputado federal Eurico da Silva e o vice-presidente da Comissão de Direitos Humanos, deputado federal Anderson Ferreira. A Comissão de Direitos Humanos se prontificou a pedir esclarecimentos à Funai, ao Ministério da Justiça e à Polícia Federal por não mandarem representantes para participarem da audiência.

Ao final, a Comissão se comprometeu em criar um grupo de trabalho para acompanhar as investigações do caso. "O MPF foi competente em apuração dos fatos. Nós queremos fazer parte disso e dar sequencia às futuras ações para o povo Munduruku", disse o deputado Eurico da Silva.

Em novembro, a PF colocou em ação a Operação Eldorado, que tinha entre os objetivos ir até a aldeia Teles Pires, na divisa dos estados do Pará e Mato Grosso, para desarticular uma rede de exploração de garimpos ilegais de ouro na região. Segundo relatos, a PF chegou à aldeia fazendo voos rasantes de helicóptero e disparando projéteis de borracha, o que teria assustado os indígenas, entre eles idosos, crianças e mulheres. Houve conflito entre policiais federais e os mundurukus, em que dois policiais e seis indígenas ficaram feridos e o indígena Adenilson Kirixi Munduruku foi morto com três tiros, segundo representação assinada por 116 organizações e entidades da sociedade civil.

Logo após o conflito, o procurador da República, Felipe Bogado, representando o Ministério Público Federal (MPF), abriu investigação para apurar os fatos. Foi enviado ofício à PF em Mato Grosso com uma série de questionamentos, solicitada a cópia dos áudios e vídeos gravados nos dias da ação policial e pedida a relação detalhada de todos os participantes envolvidos na operação, incluindo pessoas da Força Nacional de Segurança, do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e da Fundação Nacional do Índio (Funai).

O MPF vai ouvir os agentes públicos que participaram da organização logística da operação e dos que executaram a atividade. Também vai acompanhar a exumação e a perícia do corpo do indígena Adenilson Kirixi Munduruku. Concluídas as investigações, o MPF deve entrar com pedido judicial para punir os responsáveis.