
Rodrigo Claro morreu no dia 10 de novembro do ano passado, cinco dias após a aula prática em que sofreu afogamento, pressionado pela tenente Ledur, conhecida na corporação como “linha dura”. O inquérito, conduzido pelo coronel Alessandro Borges Ferreira, descartou a prática de tortura, mas confirmou que houve maus-tratos. Todos os alunos arrolados como testemunhas contaram detalhes sobre a aula aquática, os “caldos” propositais, as lapadas com os pés de pato nas costas dos alunos e que a tenente chegou a subir nas costas de um deles em uma sessão de afogamento.
O comandante da corporação afirma que, na condução do IPM, que tem função administrativa, não houve proteção, nem perseguição e sim a intenção isenta de levantar provas e autoria, cabendo agora ao Ministério Público Militar e à Justiça Militar a responsabilização ou não da tenente Ledur e demais militares envolvidos no caso.
Além de Ledur, o IPM também apontou falhas do comandante do 1º Batalhão, tenente coronel Marcelo Augusto Reveles Carvalho, e do diretor de ensino da corporação, tenente coronel Licínio Ramalho Tavares. São acusados de negligência. Todos estão afastados temporariamente do curso de treinamento, sem impacto no salário, cumprindo tarefas administrativas, enquanto respondem pelas acusações. No caso da Ledur, a promoção prevista antes da morte de Rodrigo Claro não ocorreu.
“O juízo final sobre a existência ou não de um crime é função exclusiva do Ministério Público Militar”, ressalta o coronel Rodrigues. O inquérito, segundo ele, serve para “fornecer informações e subsídios” ao promotor que assumir o caso, até o trâmite de possível ação na 11ª Vara Militar de Cuiabá.


