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Mato Grosso é o 4º do país em número de estupros

Mato Grosso registrou 1,3 mil casos de estupros em 2014, o que significa que a cada seis horas e meia uma pessoa foi vítima desse tipo de crime. A taxa de estupros é de 40,3 a cada grupo de 100 mil habitantes, o que coloca o Estado na 4ª colocação no ranking nacional, ultrapassando, inclusive, a taxa nacional, que é de 23,5. Em se tratando de tentativa do mesmo delito, em Mato Grosso, foram registradas 141 ocorrências no ano passado. Para o Conselho Estadual de Defesa dos Direitos da Mulher de Mato Grosso (CEDM), a falta de conscientização sociocultural ainda é o principal motivo para a constância do crime.  Entre 2012 e 2013, houve um aumento de 15,4% nos casos de estupros, uma vez que nos respectivos anos, 1.204 e 1.390 vítimas registraram terem sido vítimas desse tipo de crime. Porém, de acordo com a Secretaria de Estado de Segurança Pública (Sesp), em 2014, esse número caiu para 1.300. Considerando somente os boletins de ocorrência registrados, em 2014, aconteceu um estupro a cada 11 minutos no Brasil. De acordo com os dados do Anuário, em 2014, o Brasil registrou 47.643 casos de estupro.

Apesar de o número representar uma retração de 3.444 casos registrados em relação ao ano anterior, ou queda de 6,7%, o Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) destaca que não é possível afirmar que realmente houve uma redução do número de estupros no Brasil, já que a subnotificação deste tipo de crime é extremamente elevada. Presidente do CEDM, Rosana Leite Antunes de Barros destaca que pelo fato da sociedade brasileira ainda ser extremamente machista, cerca de 80% das vítimas de estupro são do sexo feminino, e muitas delas ainda estão na faixa etá- ria entre oito e 16 anos. “Nosso país ainda vê a mulher como um ser inferior em todos os quesitos. Recebemos menos que os homens, mesmo desempenhando a mesma função que eles. E não podemos ter o direito sobre o próprio corpo”.

Apesar da ampla divulgação da Lei Maria da Penha, Barros explica que muitas mulheres ainda não têm coragem de denunciar quando são violentadas sexualmente. “Cada uma tem um motivo, que vai desde o medo do agressor, ao julgamento que a sociedade poderá fazer dela. Expor que teve sua integridade corporal violada, ainda é um desafio muito grande para a mulher”, complementa.