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Mais de 430 árvores são catalogadas em projeto sobre espécies madeireiras em Mato Grosso

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Redação Só Notícias (fotos: divulgação)

O projeto denominado “Espécies Arbóreas Mais Comercializadas no Mato Grosso”, coordenado pelas pesquisadoras Gracialda Ferreira da UFRA e Célia Soares da Unemat, vem sendo desenvolvido desde 2024 em florestas de Mato Grosso para construir um guia inédito de identificação botânica das espécies madeireiras mais comercializadas no Estado. O trabalho é protagonizado por uma equipe de engenheiras florestais e reúne mais de 14 pessoas, entre coordenadoras, pesquisadores e estagiários, da Universidade Federal Rural da Amazônia e da Universidade do Estado de Mato Grosso, com apoio financeiro da secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico e idealizado pelo Centro das Indústrias Produtoras e Exportadoras de Madeira do Estado de Mato Grosso (Cipem).

O objetivo é garantir segurança técnica para quem está na floresta reconhecendo as espécies, para as agências de fiscalização e licenciamento, e também para o setor produtivo, que passa a comercializar com mais tranquilidade a partir do momento em que trabalha com espécies cuja identificação já está tecnicamente validada.

Para Gracialda Ferreira, o problema que a pesquisa busca resolver não é novo. “A floresta amazônica tem uma diversidade muito grande de espécies. Reconhecê-las é o princípio da produção florestal — e isso tem sido um grande gargalo para o manejo sustentável”, afirma a pesquisadora, que atua desde 1995 à frente de um grupo de pesquisa dedicado a produzir informações sobre morfologia e anatomia da madeira.

Foi em 2023 que essa trajetória de pesquisa ganhou uma frente específica em Mato Grosso. “Fui convidada pela minha universidade, a pedido do Cipem, para conduzir esse projeto aqui no Estado. E, a partir de janeiro de 2024, iniciamos um trabalho de coletas botânicas ao longo de todo o território”, conta Gracialda. Desde então, o projeto realizou cinco campanhas de campo. As três primeiras, em 2024, percorreram oito municípios: Sinop, Santa Carmem, Nova Ubiratã, Alta Floresta, Cotriguaçu, Nova Monte Verde, Juara e Apiacás, com coletas em nove fazendas. No ano passado, em Aripuanã, no Centro-Oeste do Estado, e neste ano, uma quinta campanha está em andamento nos municípios de Rondolândia, Colniza e Aripuanã.

O resultado, até maio deste ano, é expressivo: 433 árvores amostradas em quatro regiões do Estado. O material coletado está associado a 84 nomes vulgares e 93 nomes científicos. No total, 106 espécies já foram reconhecidas e, destas, pelo menos cinco não tinham a sua ocorrência registrada para o Estado. Cada amostra passa por um processo minucioso, da herborização no Herbário da Amazônia Meridional (HERBAM), em Alta Floresta, à identificação botânica e caracterização da anatomia da madeira no Laboratório de Taxonomia de Árvores da UFRA, em Belém (PA). Em alguns casos, os laudos técnicos produzidos pela equipe têm validado o registro de espécies que ainda não constavam na base nacional de referência, o Reflora.

Das 106 espécies reconhecidas, 50 foram selecionadas como as mais comercializadas no mercado madeireiro mato-grossense e vão compor o guia final. Até maio de 2026, 34 já tinham material morfológico e anatômico completo. A primeira etapa do projeto deve ser concluída em 31 de julho, com a expectativa de que o número chegue a 40 espécies.

Apesar dos resultados, Mato Grosso ainda tem um universo amplo de espécies madeireiras que não foi mapeado nem registrado formalmente em herbários de referência nacionais. “O trabalho construído até aqui representa um investimento técnico que começa a dar retorno ao setor de base florestal, mas que só se consolida com a conclusão das etapas seguintes. O projeto já demonstrou capacidade de qualificar o manejo florestal em Mato Grosso, e todos ganham com isso”, Valdinei Bento dos Santos, diretor executivo do Cipem.

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