
Para a magistrada, no entanto, o processo “está tramitando regularmente dentro do limite do razoável, bem como que o prazo da instrução processual será adiado por curto espaço de tempo, motivo pelo qual não há que se falar em constrangimento ilegal do denunciado”. Ela manteve a prisão preventiva dos cinco acusados e marcou audiência de instrução e julgamento para o dia 28 deste mês.
As cinco pessoas acusadas de integrar a quadrilha respondem por furto qualificado, associação criminosa e receptação qualificada. Conforme as investigações, a organização é acusada de furtar, este ano, pelo menos 15 carretas nos municípios de Guarantã do Norte, Matupá, Sorriso, Peixoto de Azevedo e Sinop. O prejuízo estimado é de cerca de R$ 2 milhões.
O grupo vinha sendo monitorado pela Delegacia Especializada em Roubos e Furtos (Derf) por alguns meses, por meio de interceptações telefônicas autorizadas pela Justiça. Os investigadores descobriram vários casos semelhantes registrados em cidades do Nortão. Segundo a Polícia Civil, as cargas roubadas eram repassadas para armazéns na região. O dono de um silo, em Sorriso, acabou preso, em junho, acusado de receber uma carga furtada.
Na ocasião, também foram presos outros três supostos integrantes do grupo. Dois são suspeitos de integrar a parte operacional da quadrilha e ficariam responsáveis por levantar as informações a respeito dos veículos que seriam furtados e as repassar para um terceiro acusado. Este, segundo a polícia, ficava encarregado de ir até o local e, utilizando um trator (parte que puxa os vagões), furtar a carreta. A parte operacional também era responsável por contatar possíveis receptores dos grãos.
Conforme a polícia, os primeiros presos não tinham controle sobre a movimentação financeira da quadrilha. Tal responsabilidade ficava a cargo, conforme a fonte, do principal suspeito de chefiar o bando. Ele é empresário em Sinop e foi preso poucos dias depois. Ele foi localizado em um posto de combustíveis, no centro.
Para a polícia, o suposto mentor do grupo não atuava na execução dos crimes, motivo pelo qual não foi preso anteriormente. Ele teve o nome citado várias vezes durante as interceptações telefônicas, conforme os investigadores. Ao decretar a prisão do acusado, Rosângela Zacarkim destacou a necessidade da garantia da ordem pública. “O representado, supostamente, faz parte de uma organização criminosa muito bem estrutura e bastante atuante, bem como o objeto do furto possui alto valor e demanda maior engenhosidade na empreitada criminosa, demonstrando assim a periculosidade acentuada”. Ela também levou em consideração os antecedentes do suspeito, que já responde por outra acusação semelhante.
Roubo de máquinas agrícolas
Após a prisão dos quatro primeiros suspeitos, no dia 12, a Derf recebeu informações da comarca de Juara de que um possuía mandado de prisão em aberto por roubo qualificado de máquinas agrícolas. O documento encaminhado aponta ainda que o homem é suspeito de crimes semelhantes na região. O mandado de prisão preventiva foi cumprido no presídio Ferrugem.


