Os gêmeos siameses Marcos e Mateus, nascidos nesta semana de um casal de Canarana (640 quilômetros de Cuiabá), devem passar por uma cirurgia de separação daqui a aproximadamente um ano, conforme avaliação da equipe médica que os acompanha em Goiânia. O cirurgião pediátrico Zacarias Calil, referência nacional no tema, classificou o caso como o mais complexo de sua especialidade.
Os recém-nascidos são classificados como isquiópagos, unidos pelo tórax, abdômen, bacia e pernas. “O fígado é único, a bacia também é única, nós não sabemos ainda como é que é a parte urinária da bexiga, se elas são unidas, separadas”, explicou, ao Jornal da Record, o médico Zacarias Calil, que já atuou no parto de 46 bebês siameses e na separação de 25.
Os bebês, filhos de Raylane Siqueira de Oliveira, de 22 anos, e Maycon Alex Rodrigues Araújo, nasceram por cesárea no Hospital Estadual da Mulher Dr. Jurandir do Nascimento (Hemu), em Goiânia. A gestação só foi identificada como gemelar e siamesa tardiamente. Conforme relato da tia da mãe, Neres Jardim Siqueira, o diagnóstico veio apenas no quinto mês. “Fez a primeira ultrassom, o doutor não conseguiu explicar o que realmente era. Aí no terceiro dia a gente fez uma ultrassom particular, viu que eles eram gêmeos siameses”, detalhou.
Nos próximos dias, os irmãos passarão por uma nova intervenção cirúrgica para corrigir uma má formação no intestino. A complexidade da futura separação exige um longo período de preparo. “A cirurgia de separação dos gêmeos pode acontecer daqui um ano, de acordo com os médicos, dependendo do desenvolvimento das crianças”, informou o hospital.
A mãe, que realizou todo o pré-natal no Hemu e estava com 34 semanas de gestação, passa bem e foi encaminhada para a enfermaria. O pai, que acompanhou o parto, destacou a emoção e a confiança na equipe médica. “Foi algo muito marcante. Nunca tínhamos passado por uma situação assim, mas agora é confiar e aguardar os próximos passos”, afirmou. A família segue em Goiânia para o acompanhamento contínuo dos recém-nascidos, que permanecem na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) Neonatal.
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