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Estudo diz que hidrelétricas em Mato Grosso vão emitir grande quantidade de gases

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O estudo publicado na revista científica americana Environmental Research Letters, que empregou um método inédito para calcular as emissões de gás carbônico e metano geradas na formação dos reservatórios e construção das usinas, aponta alta probabilidade de que as hidrelétricas de Sinop e Colíder (ambas em Mato Grosso), Cachoeira do Caí, Cachoeira dos Patos e Marabá (todas no Pará) e Bem Querer (em Roraima) gerem emissões comparáveis às de usinas de gás natural, fonte normalmente mais poluente que a hidráulica, mas menos poluente que os demais combustíveis fósseis.

Segundo reportagem da BBC Brasil, as hidrelétricas de Sinop e Cachoeira do Caí podem até superar as emissões de gases produzidas por usinas de carvão, o mais poluente dos combustíveis fósseis. As emissões em hidrelétricas geralmente ocorrem quando a matéria orgânica presente no solo ou na vegetação submerge durante a formação de reservatórios, produzindo gás metano. Por isso, usinas cujos reservatórios inundam grandes áreas tendem a gerar mais emissões que hidrelétricas a fio d'água (com reservatórios menores e que aproveitam a velocidade natural do rio para gerar energia).

Ainda segundo a reportagem, a legislação brasileira atual exige a retirada da vegetação de áreas a serem alagadas. Ainda assim, segundo o estudo, quantidades significativas de matéria orgânica permanecem no solo. Todas estas usinas estão no bioma amazônico, que concentra a maioria dos rios brasileiros com potencial hidroelétrico.

Coautor da pesquisa e doutorando na Universidade Carnegie Mellon (EUA), o engenheiro brasileiro Felipe Faria disse à BBC Brasil que os resultados do estudo ajudam a derrubar a crença de que hidrelétricas necessariamente geram energia limpa, mostrando que os níveis de emissões variam bastante conforme o projeto. Ele defende que, diante das mudanças climáticas, o governo passe a considerar o cálculo de emissões antes de decidir construir uma hidrelétrica.

Para o pesquisador, hidrelétricas são atrativas no Brasil por, entre outros motivos, terem baixo custo em relação a outras fontes e porque o país tem experiência em construí-las. Por outro lado, diz ele, "boa parte dos tomadores de decisão do setor elétrico foram formados dentro da indústria hidrelétrica, e há por isso um apelo e um lobby muito forte por essa fonte".

Outro lado

O Ministério de Minas e Energia informou que estudos iniciados em 2011 a pedido do órgão "desmistificaram que usinas hidrelétricas em regiões tropicais são usualmente fontes relevantes de emissão de gases causadores do efeito estufa".

Segundo o ministério, as análises de hidrelétricas brasileiras revelaram emissões entre dez e 500 vezes menores que usinas térmicas a carvão, exceto no caso de Balbina (AM). "A energia hidrelétrica existente no Brasil é energia limpa e renovável", diz o órgão.

O ministério afirma ainda que as tecnologias solar e eólica estão em expansão no Brasil, mas são incapazes de substituir "usinas com armazenamento", como as hidrelétricas. Segundo o órgão, a maioria das novas hidrelétricas na Amazônia opera a fio d'água, gerando menos impactos ambientais que usinas das décadas anteriores.

Só Notícias entrou em contato com a assessoria de imprensa da Companhia Energética Sinop, responsável pela Usina Hidrelétrica do município. A assessoria se comprometeu em dar uma resposta sobre a reportagem.

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