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Entidade alerta para riscos de contrafogo improvisado em incêndios em Mato Grosso e Goiás

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Redação Só Notícias (foto: assessoria/arquivo)

A Organização Aliança da Terra alertou que o contrafogo só deve ser considerado quando houver objetivo claro, condições favoráveis, equipes capacitadas, controle da área e uma rota segura para retirada. Em regiões como Goiás e Mato Grosso, Estados com alto volume de incêndios e onde a prática do contrafogo feito por conta própria é recorrente, a situação exige cautela extrema, apontou a entidade.

O contrafogo é uma técnica em que o próprio fogo é utilizado para combater, de frente, o incêndio. Praticado de forma correta, ele queima a biomassa antes que o incêndio o atinja. “O contrafogo pode ser uma alternativa, mas deveria ser considerado uma das últimas opções no combate. Muitas vezes, essa prática improvisada elimina a rota de fuga dos animais silvestres, transformando a tentativa de sobrevivência da fauna em uma armadilha fatal”, alerta Caroline Nóbrega, diretora geral da Aliança da Terra, bióloga e doutora em Ecologia.

Em situações de emergência, diferentes atores podem recorrer ao uso do contrafogo como estratégia de contenção. “No entanto, o fogo não entende intenções. Uma ação feita sem planejamento e estrutura adequada transforma uma tentativa de proteção em uma nova frente de incêndio, multiplicando prejuízos que, apenas no último período crítico, afetaram milhões de hectares e custaram bilhões ao agronegócio brasileiro”, completa Caroline.

Osmano Santos, Comando Estratégico e de Treinamentos, com mais de 15 anos de experiência em prevenção e combate e formação realizada com os Smokejumpers do Serviço Florestal dos Estados Unidos, ressalta que o vento é o fator climático mais variável, imprevisível e subestimado no campo. “Você pode programar a ação acreditando que não há vento, mas, após avançar 500 metros ou 1 km, o vento pode oscilar e empurrar fumaça e chamas contra a equipe, gerando colunas de convecção e novos focos. Se eu não consigo prever o comportamento do fogo e garantir a segurança da equipe, não devo iniciar o contrafogo”, reforça Santos.

O especialista explica que a técnica exige rigoroso comando, coordenação e controle. Antes de qualquer ignição, seis perguntas operacionais devem ser respondidas com absoluta clareza: O que fazer? Onde fazer? Como fazer? Quando fazer? Quem vai fazer? E por que fazer? Sem o mapeamento de, no mínimo, duas rotas de fuga e zonas de segurança, a operação deixa de ser técnica e passa a ser mera tentativa e erro.

O uso não autorizado de fogo e a provocação de incêndios sujeitam os responsáveis a multas de até R$ 10 mil por hectare, além de sanções civis, criminais e bloqueio de acesso a crédito agrícola, caso o fogo escape para propriedades vizinhas ou áreas de proteção.

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