
Assim como em anos anteriores, os números mostram que os grupos criminosos agiram mais no interior do Estado. Foram 16 ocorrências em cidades do interior, seis em Cuiabá e três em Várzea Grande. Em 18 ataques, os bandidos usaram artefatos explosivos e em sete empregaram o maçarico. Os bancos mais atingidos foram o Brasil, Bradesco, Santander e a Cooperativa de Crédito Sicredi. Apenas 9 das 25 ocorrências foram consumadas.
Os casos de explosões e arrombamentos de terminais de autoatendimento são encaminhados a Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO), em Cuiabá, que centraliza os dados e faz o cruzamento das ocorrências com ações de quadrilhas que agem em Mato Grosso e outros estados da federação.
Para o delegado titular do GCCO, Flávio Henrique Stringueta, o trabalho de inteligência e a integração com as polícias de outros estados ajudaram a reprimir os roubos e furtos contra as instituições financeiras dentro e fora de Mato Grosso, levando a prisão de integrantes das quadrilhas. “Além da intensificação na repressão sobre as quadrilhas e o monitoramento de seus integrantes, também tivemos redução grande de caixas em pontos vulneráveis, como também a diminuição do numerário existente nos caixas, o que torna o custo benefício da ação criminosa menos atraente”, destaca.
Apreensões de explosivos, como as 104 bananas de emulsão explosiva, equivalente a 208 quilos aproximados, recuperadas em Nobres (146 km a Médio-Norte), no dia 26 de junho do ano passado, e o endurecimento da fiscalização do Exército Brasileiro as empresas que utilizam o produto, são também apontados como fator para a redução das explosões. “A apreensão de explosivos ajudou muito e a ação do Exército Brasileiro nas fiscalizações dos explosivos tornou mais difícil o acesso clandestino aos explosivos”, salienta o delegado.
Stringueta explica que nos últimos três anos as quadrilhas vem perdendo “investimento” na modalidade delituosa, uma vez que mais da metade dos ataques nesses anos não tiveram êxito. Isso, conforme o delegado, se explica pela iniciação de novos bandidos na atividade. “Acredito que são iniciantes e mais desqualificados, motivo da grande maioria das ações frustradas. Ao mesmo tempo em que estão se adaptando estão desistindo porque não é uma tarefa fácil. A logística é cara e o que foi retirado dos caixas no ano passado certamente frustrou as quadrilhas ”, analisa.
Com as ações de enfrentamento adotadas pela polícia e pelos bancos, as quadrilhas que atuavam em Mato Grosso migraram para outros estados e com o intercâmbio de informações foram presas. “As prisões foram feitas em Mato Grosso do Sul, Rondônia, Amapá, Maranhão, Pará e Tocantins. Isso também influenciou nos ataques e demonstram que essas quadrilhas desistiram de atuar em Mato Grosso”, finaliza o delegado Flávio Henrique Stringueta.
Caixeiros presos – 43 pessoas com ligações em ataques de caixas eletrônicos foram presas em Mato Grosso ano de 2013, em cumprimento de mandados de prisão. Em uma das operações, a “Implosão”, a Gerência de Combate ao Crime Organizado prendeu 25 membros de uma organização criminosa envolvida em pelo menos 25 ataques a terminais dos Estados de Mato Grosso, Rondônia e Mato Grosso do Sul. A operação foi realizada em seis estados em março passado e ao final do inquérito policial 35 pessoas foram indiciadas.
Em dois anos, as investigações identificaram cerca de 50 pessoas envolvidas em ataques a terminais de autoatendimento ocorridos no Estado de Mato Grosso. “Eram pessoas que atuavam não só aqui em Mato Grosso como nos estados vizinho”, disse o delegado chefe do GCCO, Flávio Henrique Stringueta.


