O primeiro dia de júri popular do policial civil Mário Wilson Vieira da Silva Gonçalves, acusado pela morte do policial militar Thiago de Souza Ruiz, ocorrida no dia 23 de abril de 2023, em uma conveniência da Praça do Choppão, em Cuiabá, foi encerrado ontem à noite, após pouco mais de 10 horas de julgamento. O júri será retomado hoje a partir das 9 horas.
O primeiro dia ficou marcado por provocações e ‘embates’ em vários momentos entre o promotor de Justiça Vinícius Gahyva Martins e os advogados dos réus Claudio Dalledone e Renan Canto. Em um dos momentos, o advogado Dalledone afirmou que o promotor tentava “ensinar” a atuação da defesa e disse que o “abominava”.
O momento de maior tensão ocorreu durante o depoimento de um amigo do réu e arrolado como testemunha tanto pela acusação quanto pela defesa. Após as perguntas feitas pelo Ministério Público, o advogado Renan Canto iniciou a inquirição pela defesa, mas uma das perguntas foi contestada pelo promotor, provocando novo desentendimento no plenário. Durante a discussão, o advogado Dalledone se dirigiu ao juiz-presidente Marcos Faleiros da Silva para questionar a condução da sessão e mencionou a possibilidade de “tumulto” no julgamento. Em seguida, o promotor reagiu afirmando: “O senhor já conseguiu o afastamento da juíza? Agora está ameaçando o juiz presidente”. A defesa negou qualquer ameaça ao magistrado e o júri chegou a ser suspenso por alguns minutos. Após a troca de acusações entre as partes, o juiz determinou que novas interrupções só poderiam ocorrer mediante autorização prévia.
O primeiro depoimento do dia foi da ex-esposa do policial militar, Walkiria Filipaldi Corrêa, que é investigadora de Polícia Civil. Durante depoimento, ela afirmou que acredita que Thiago jamais agiria para matar Mário Wilson. Disse que o investigador agiu fora dos procedimentos da corporação. Ela também denunciou publicações realizadas nas redes sociais, acusando a vítima de ser agressor e usuário de drogas. Além disso, apontou perseguição na Polícia Civil.
Também prestou depoimento o delegado André Monteiro, que foi o delegado plantonista do dia dos fatos. Ele detalhou como foi acionada a equipe de plantão até a prisão do policial civil, que se entregou poucas horas após o fato.
A terceira pessoa ouvida foi Gilson Vasconcelos Tibaldi de Amorim Silva, amigo de Mário e que estava na mesa no momento do desentendimento entre os dois policiais que acabou na morte de Thiago.
A quarta e última testemunha do primeiro dia de júri a depor foi o investigador de Polícia Civil, Walfredo Raimundo Adorno Mourão Junior, que estava junto do policial militar Thiago na conveniência, também conhecia o réu e foi quem tentou separar os dois durante a briga antes dos disparos. Walfredo foi questionado por várias horas pelo promotor de justiça Fabiano Gaya e pelos advogados de defesa do policial civil. Muito emocionado, ele relembrou o momento em que o amigo Thiago foi atingido pelos disparos feitos pelo investigador Mário Wilson e ainda tentou socorrer o amigo, que deu o último suspiro de vida e morreu em seus braços, em um carro, a caminho do hospital. “Eu peguei o Thiago, puxei ele para a parte de trás do carro e fui com ele, segurando a mão dele, até o hospital, onde ele deu o último suspiro”.
O crime
A denúncia do Ministério Público aponta homicídio qualificado por motivo fútil e recurso que dificultou a defesa da vítima. O crime ocorreu durante a madrugada, quando Thiago chegou ao estabelecimento com um amigo. Na sequência, chegou ao local o investigador Mário Wilson, que foi apresentado ao PM. Os dois chegaram a interagir e conversar antes do crime.
Em determinado momento, o PM mostra a arma que trazia na cintura. O investigador alegou na época que não acreditou que a vítima fosse realmente um policial militar. Imagens de câmera de segurança mostraram o momento em que Mário Wilson toma o revólver da vítima e, em seguida, entram em luta corporal e o policial civil efetua os disparos. O PM sofreu três disparos e morreu a caminho do hospital.
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