O tribunal do júri de Várzea Grande condenou, ontem, Antônio Wilson Ribeiro por homicídio qualificado e ocultação de cadáver, a 13 anos de reclusão. O crime foi em maio de 2007 e o corpo de William Batista Luz nunca foi encontrado. O Ministério Publico informa que uma clínica odontológica havia sido alvo de um crime e uma funcionária chegou a ser feita refém. Tempos depois, William Batista Luz, paciente do estabelecimento, foi confundido com o suposto ladrão. Em 9 de maio de 2007, William retornou à clínica para continuar o tratamento odontológico. A suspeita que ele seria o antigo criminoso desencadeou uma sequência de acontecimentos que terminou em sua morte.
Segundo a denúncia do Ministério Público, William foi algemado e retirado da clínica por um grupo de homens. A partir daquele momento, nunca mais foi visto e seu corpo jamais foi localizado. A investigação, contudo, reuniu uma série de evidências sobre a dinâmica dos fatos e a participação do acusado. Foram apresentados ao conselho de sentença depoimentos de testemunhas presenciais, sobre os vínculos entre os envolvidos, dados relativos à presença do réu no contexto do crime e informações relacionadas ao veículo utilizado na retirada de Willian.
A inexistência do cadáver não impediu o reconhecimento da materialidade. O desaparecimento definitivo, as circunstâncias em que William foi visto pela última vez e o conjunto probatório permitiram a reconstrução do homicídio, informa o MP. A morte da vítima também foi reconhecida judicialmente como presumida, com a correspondente emissão de certidão de óbito. Ao final do julgamento, os jurados acolheram a tese do Ministério Público e reconheceram a responsabilidade de Antônio Wilson Ribeiro pelo homicídio qualificado e pela ocultação do cadáver.
O Ministério Público informou, ao final da sessão do júri, que ” o caso também evidencia um ponto essencial: justiçamento não é justiça. Ninguém pode investigar, julgar, condenar e executar uma pessoa por conta própria. O monopólio legítimo da aplicação da lei pertence ao Estado, justamente para impedir que a vingança privada substitua o devido processo legal.
Dezenove anos depois, mesmo sem a localização do corpo de William, o Tribunal do Júri apresentou sua resposta.
É possível esconder um cadáver. A verdade dos fatos e a resposta da Justiça, não”.
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