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Carne brasileira enfrenta guerra comercial para conquistar mais espaço na Rússia

Nas reuniões desta quinta-feira (11), em Moscou, o governador Blairo Maggi e comitiva trataram de modo especial da exportação de carne mato-grossense para Rússia. Os encontros foram com o coordenador do grupo para relações interparlamentares com o Brasil, o deputado federal Andrey Zhukov e com o presidente da Associação dos Importadores de Carne da Rússia, Serguei Yushin.

A guerra comercial e a necessidade de uma divulgação maior da qualidade dos produtos brasileiros nortearam as discussões e mostraram aos produtores mato-grossenses quais as estratégias a serem adotadas para melhorar a relação comercial com os russos.

“A guerra comercial é bastante grande, nós precisamos saber que estamos vendendo para um país bem maior que o Brasil e que tem produtores aqui e eles também querem vender e impedir a entrada da carne mato-grossense e brasileira”, observou o governador Blairo Maggi.

Com base nessas informações, Maggi mostrou-se convencido da relevância dessa visita oficial à Rússia. “Estávamos certos de vir aqui e mostrar que temos um potencial bastante grande e vamos explorar esse potencial”, salientou Maggi.

A Rússia é o maior comprador de carnes de frango, suína e bovina de Mato Grosso e registra um crescimento no consumo per capita de carne de 42 kg em 1998 para 57 kg em 2007. De acordo com o vice-presidente da Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso (Famato), Rui Prado, que compõe a comitiva mato-grossense, representando os empresários do setor, a missão na Rússia os ajudou a identificar os desafios a serem vencidos na relação com o mercado russo. Ele citou a questão da sanidade e cotas de compra da Rússia. “A cota da Rússia (espécie de acordo) vence em 2009, a responsabilidade da renovação é do Governo Federal, mas nós temos que agilizar para que seja resolvido o mais rápido”, afirmou Rui Prado.

O vice-presidente da Famato reconheceu a falha na divulgação da qualidade dos produtos mato-grossenses e o espaço que é dado para que informações mentirosas circulem na imprensa internacional sobre a carne brasileira. “Para se ter noção do nível da guerra comercial, um jornal da Sibéria (região russa) publicou uma reportagem dizendo que a carne brasileira era de macaco e não de boi”, destacou.

“Na verdade percebemos que eles compram a nossa carne, nós não vendemos, falta um trabalho de marketing,” completou Prado.

RELAÇÕES COMERCIAIS

Depois de quatro dias cumprindo uma série de compromissos no território russo, a comitiva segue agora para a Alemanha, Holanda, Bélgica e França. A estadia terminou com um coquetel oferecido pela Embaixada Brasileira na Rússia para os mato-grossenses.

Maggi ressaltou nesta quinta-feira, ao terminar a viagem à Rússia, que uma das propostas da comitiva foi visitar os importadores de carne, já que a Rússia tem grande participação na pauta da exportação da carne brasileira. A comitiva apresentou ainda a forma como Mato Grosso trabalha, produz e o cuidado com a sanidade. “Foi importante tivemos vários encontros nessa área”, comentou.

Outra finalidade foi conhecer as políticas públicas que serão adotadas pelo governo russo e saber o que estão planejando para o futuro, além de manter contato com a iniciativa privada. “Ouvimos os dois lados. Saímos daqui da Rússia com a impressão firme que por muitos anos ainda a Rússia será um grande comprador de produtos mato-grossenses”, acrescentou o governador.

O governo russo apresentou a decisão de implementar um aumento de produção e informou que irá fazer um programa de desenvolvimento de pecuária, suinocultura e avicultura, para diminuir a dependência da importação de carne que chega a um milhão de toneladas por ano. Por outro lado, os empresários reconhecem que não são projetos realizáveis num curto prazo ou nem serão viáveis, por diversos fatores.

Maggi explicou que todos os encontros foram importantes também para Mato Grosso definir como tratar os contatos comerciais e definir as políticas para a área de exportação.

Quanto ao aumento de exportação de carnes mato-grossense para a Rússia com base no aumento da importação de fertilizantes e trigo, Maggi disse que o governo russo não quer fazer esse tipo de acordo e que o governo de Mato Grosso nem teria autonomia para propor qualquer possibilidade de troca. “Os acordos devem ser feitos pelos empresários e iniciativa privada. Os governos não devem se envolver a não ser para fazer a promoção como estamos fazendo agora”, argumentou o chefe do Poder Executivo.

“Ficou claro que há espaço para exportação de ambos os lados, vamos divulgar que há possibilidade para se fazer negócios aqui, mas quem tem que fechar negócios, fazer acontecer, são os empresários”, disse Maggi.

“A importação de trigo da Rússia pode ser um bom negócio para Mato Grosso e para o Brasil, já que eles têm seis milhões de toneladas por ano para exportar, isso pode ser uma alternativa importante. Como eu disse, nós estamos visitando, olhando, conhecendo, mas quem tem que fazer acontecer é a iniciativa privada”, finalizou.

Nesta sexta-feira (12.10) a comitiva segue para Colônia, na Alemanha