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Câmeras registraram agrônomo planejando matar esposa em Lucas; “Não foi surto, foi escolha”, diz advogado

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Só Notícias/Kelvin Ramirez (fotos: reprodução)

Novas imagens de câmeras de segurança da residência onde Gleici Keli Geraldo de Souza, de 42 anos, foi assassinada pelo companheiro, em Lucas do Rio Verde, foram divulgadas, ontem, nas redes sociais do advogado da família, Rodrigo Pouso. Segundo ele, os registros contradizem a versão de que o crime teria ocorrido durante um suposto surto e mostram momentos anteriores ao feminicídio.

Gleici foi morta em 24 de junho do ano passado, enquanto dormia na residência da família. A filha do casal, então com 7 anos, também foi atacada e sobreviveu. O engenheiro agrônomo Daniel Bennemann Frasson é acusado pelo crime e responde ao processo, porém não está detido em unidade prisional.

Conforme o material divulgado pelo advogado, as câmeras registraram discussões entre o casal nos dias que antecederam o crime. Em uma das situações, os conflitos envolveriam questões financeiras, incluindo gastos e valores relacionados a negócios da família. As imagens também registrariam Daniel conversando com a própria irmã e afirmando que pretendia matar Gleici e a filha. Segundo o relato divulgado por Rodrigo Pouso, dois dias antes do crime ele teria dito que iria matar as duas a sua irmã.

Ainda conforme o advogado, uma mensagem chegou a Gleici alertando para que ela escondesse as facas, em uma tentativa de evitar que o objeto fosse utilizado contra ela. Na manhã do crime, de acordo com o material divulgado, Daniel teria pegado uma faca por volta das 6h55, antes de uma consulta psiquiátrica que estava marcada para as 15h daquele dia.

Os registros divulgados também mostram, segundo o advogado, momentos de tensão dentro da residência. Em determinado trecho, Gleici aparece pedindo que as discussões terminassem. O material ainda aponta que Daniel demonstrava preocupação com o crescimento profissional da esposa e teria feito anotações sobre valores que considerava devidos por ela.

Após o crime, segundo Rodrigo Pouso, familiares de Daniel conseguiram uma medida para interditá-lo em outra comarca. O advogado afirma ainda que, posteriormente, houve pedido no inventário para que metade dos bens e dos aluguéis deixados por Gleici fosse destinada a ele.

A defesa de Daniel sustenta que ele não tinha consciência do que fazia no momento do crime. O caso passou por avaliações psiquiátricas. Ano passado, uma primeira perícia apontou possibilidade de inimputabilidade em razão de quadro depressivo. O Ministério Público contestou o resultado e a Justiça determinou uma nova avaliação por junta formada por especialistas em psiquiatria forense. Um novo laudo divulgado em 2026 apontou diagnósticos de esquizofrenia e transtorno bipolar e voltou a indicar inimputabilidade. O documento ainda será analisado pela Justiça.

O Ministério Público, contudo, já havia questionado a suficiência da primeira perícia, apontando que a conclusão não seria suficiente para estabelecer, com segurança, a incapacidade total do acusado no momento do crime.

Gleici foi encontrada morta dentro da residência do casal. A filha, que estava na cama com a mãe, também foi atingida pelas facadas e precisou ser hospitalizada. Posteriormente, a menina recebeu alta. Daniel também teria tentado tirar a própria vida após o ataque, mas sofreu apenas cortes superficial foi socorrido e posteriormente permaneceu sob custódia. “As câmeras registraram tudo. Não foi surto. Foi escolha.”, afirmou Rodrigo Pouso.

Limpando o sangue
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