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Bullying, jogos violentos e famílias desestruturadas podem ser gatilhos para massacres, diz especialista

Ameaças de massacres que têm sido recorrentes em escolas de Mato Grosso podem ser atribuídas à necessidade do jovem de ser aceito e ter aprovação de um grupo. A informação é da analista de comportamento e psicóloga clínica, Priscila Padilha.

Conforme já informado, adolescentes publicaram em suas redes sociais imagens e áudios em que alertavam para assassinatos em série. O primeiro aconteceu na segunda-feira,  em um colégio. O outro foi na escola estadual José de Mesquita, localizada no bairro Porto, na semana passada.

As ameaças em Mato Grosso iniciaram logo após o ataque em uma escola em Suzano (SP), que deixou 10 mortos. A primeira surgiu em Cáceres (225 km a oeste de Cuiabá) e depois foram inúmeras, em várias cidades.

“Os jovens estão nessa fase de definição da identidade e uma das características é a oposição. Então já existe um movimento natural de um adolescente normal, de se opor às normas, às regras. Isso até faz parte do desenvolvimento. O que a gente percebe, contudo, é que há nos dias atuais muita violência”, explicou.

Famílias desestruturadas, bullying e jogos violentos são para a especialista fatores que podem desencadear comportamentos agressivos e violentos. Ao ser submetido a certas realidades, o jovem não teria uma bagagem de princípios e afeto suficientes para corresponder de forma positiva.

“É um conjunto de fatores. Não se pode dizer que é só o bullying ou que é só o jogo. É um conjunto de fatores sociais, econômicos e políticos. Esses fatores contribuem para que esses jovens desestruturados façam essas ações como uma forma de falar, um grito no silêncio”.

A violência perpassada pelos jogos eletrônicos e também noticiada na vida real influencia para que os jovens se acostumem com situações de morte e se tornem ‘frios’ ao se deparar com cenas de violência extrema, como em massacres.

Ainda, a onda de ameaças que surgiu depois do atentado em Suzano, para a especialista, deve ser atribuída ao fato de que estes jovens foram tidos como ‘heróis’ por terem coragem de fazer algo tão brutal.

“O jovem se fortalece em grupo porque a opinião do grupo tem muito valor para ele nesse momento da vida. Então o grupo que eles participam de alguma maneira fortalecem a ideia de que de alguma maneira o que aconteceu foi legal. O jovem está o tempo todo tentando ter aprovação, por mais errada que a atitude seja”, finalizou.

Só Notícias/Gazeta Digital