Oito novas pontes artificiais de dossel vão ser instaladas, até o próximo dia 20, durante a segunda etapa do programa Alta Floresta Não Atropela (AFNA) subindo para 15 as estruturas destinadas a reconectar fragmentos florestais, permitir o deslocamento seguro de animais arborícolas e reduzir os atropelamentos de fauna nas vias urbanas. Quatro novas pontes serão construídas na avenida Teles Pires, duas na Rua Raimundo Carlos de Figueiredo, uma na Avenida Jaime Veríssimo de Campos e outra na Avenida Mato Grosso.
As estruturas têm o sistema conhecido como “3 em 1”, formado por elementos que atendem às diferentes formas de locomoção dos animais: uma ponte com cordas entrecruzadas, uma ponte composta por cabo de aço e cordas trançadas e um cabo superior que auxilia o deslocamento de espécies com cauda preênsil. A concessionária de energia auxilia com a adequação da rede elétrica próxima às travessias, rebaixamento das redes e o isolamento dos cabos em dez pontos, incluindo duas pontes já existentes, para diminuir o risco de choques elétricos em animais silvestres.
As primeiras sete pontes de dossel foram instaladas em outubro de 2024. Em 15 meses de monitoramento por câmeras, o programa registrou quase 15 mil travessias de animais silvestres. Seis espécies de primatas já utilizaram as estruturas, entre elas espécies raras e ameaçadas de extinção, e também não foram registrados novos atropelamentos de primatas nas áreas diretamente contempladas pelas estruturas. Os resultados demonstram o potencial dessas passagens para restabelecer a conectividade do dossel e reduzir os riscos enfrentados pela fauna em ambientes urbanos.
“Os resultados mostram que as pontes não são apenas estruturas experimentais: elas são utilizadas diariamente pelos animais e oferecem uma alternativa segura para o deslocamento entre os fragmentos florestais. Alta Floresta está demonstrando que é possível conciliar desenvolvimento urbano, segurança viária e conservação da biodiversidade”, afirma Fernanda Abra, que coordena as ações do Projeto Reconecta.
As novas estruturas seguirão o modelo técnico desenvolvido pelo Projeto Reconecta e incorporado às diretrizes nacionais do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT).
“O reconhecimento da National Geographic Society foi um marco para todos nós. Ele permitiu levar Alta Floresta e sua extraordinária biodiversidade a uma audiência global. Quando ciência, poder público, empresas e comunidade trabalham juntos, é possível transformar desafios locais em soluções capazes de inspirar outras cidades”, destaca Fernanda Abra.
A área urbana e periurbana de Alta Floresta abriga seis espécies de primatas: o macaco-aranha-de-cara-branca (Ateles chamek), o zogue-zogue-de-Alta-Floresta (Plecturocebus grovesi), o sauim-de-Schneider (Mico schneideri), o bugio-ruivo-do-rio-Purus (Alouatta puruensis), o macaco-prego (Sapajus apella) e o macaco-da-noite (Aotus sp.). Quatro delas estão ameaçadas de extinção em nível global. O zogue-zogue-de-Alta-Floresta é classificado como Criticamente em Perigo e foi descrito pela ciência apenas em 2019. Essa espécie é o animal símbolo de Alta Floresta. O macaco-aranha-de-cara-preta e o sauim-de-Schneider são classificados como Em Perigo, enquanto o bugio-ruivo-do-rio-Purus é considerado vulnerável.
Essa diversidade confere a Alta Floresta uma importância singular para a conservação dos primatas amazônicos. Ao mesmo tempo, a expansão urbana e a abertura de vias fragmentam os remanescentes florestais, interrompem as rotas naturais de deslocamento e expõem os animais a atropelamentos, eletrocussões e outros riscos.
A informação é da assessoria.
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