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3ª Corrida Maria da Penha mobiliza população e abre programação do Agosto Lilás em Sinop

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Redação Só Notícias (foto: Josi Dias/assessoria)

Comarca de Sinop deu a largada ao Agosto Lilás, mês de conscientização nacional pelo fim da violência contra a mulher, com a 3ª Corrida Maria da Penha, realizada pela Rede de Enfrentamento à Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher do Município, nesse sábado (1º), na Orla do Residencial Recanto Suíço, reunindo mais de 900 atletas (nas categorias masculino, feminino, pessoa com deficiência e infantil), além de profissionais que atuam no atendimento às mulheres em situação de violência e população em geral.

O Poder Judiciário é um dos integrantes da Rede de Enfrentamento e foi representando, na Corrida, pela juíza Rosângela Zacarkim dos Santos, titular da 2ª Vara Criminal de Sinop, onde tramitam os processos relativos à violência doméstica e familiar contra a mulher. Segundo ela, ver o engajamento da população na causa do evento foi extremamente gratificante. “No dia a dia do trabalho forense, a gente vê que ainda temos um caldo cultural bastante danoso à mulher, que o machismo predomina. E nós cremos que as novas gerações, os homens de hoje, podem mudar seu modo de ver as mulheres por meio de ações como essa. Nós temos os mesmos direitos, estamos juntos, então, não há razão para a violência”, afirma.

De acordo com a magistrada, a mensagem que a Corrida Maria da Penha buscou levar foi de que a sociedade não só se conscientize, mas também reaja diante da violência contra a mulher. “Que a sociedade possa levar ao conhecimento das autoridades uma agressão do vizinho, do parente porque em briga de marido e mulher nós temos que colocar a colher”.

Diretora do Fórum de Sinop, a juíza Melissa de Lima Araújo, titular da Vara Especializada da Infância e Juventude, destacou que “esta é a terceira Corrida Maria da Penha e a gente vê que, a cada ano, mais gente participa. Isso é muito importante para o fortalecimento da rede, para que as mulheres que sofrem essa violência se sintam seguras para fazer as denúncias, sabendo que os agressores serão punidos”.

Melissa defendeu ainda que o Judiciário esteja engajado em campanhas como essa. “Quanto mais informações a gente conseguir divulgar, quanto mais acesso à informação a população tiver, com certeza, nós estaremos combatendo essa violência pra que ela diminua e para que os números de feminicídio caiam também”.

Coordenadora da Rede de Enfrentamento à Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher de Sinop, a advogada Eliane dos Santos classificou como emocionante e inexplicável o sentimento de ver a quantidade de pessoas e famílias presentes no evento. “O principal é justamente a gente pensar na causa da corrida, que tem o objetivo de comemorar os 20 anos da Lei Maria da Penha e também a conscientização e mobilização da sociedade. A nossa rede está abrindo o Agosto Lilás com este grande evento, então, é algo emocionante. A nossa sociedade de Sinop participou, trouxe a família e a gente está muito feliz por perceber que eles entenderam o propósito: o fim da violência contra as mulheres, zero feminicídio, zero violência”, declarou.

A delegada Renata Evangelista, titular da Delegacia da Mulher, Criança, Adolescente e Idoso de Sinop, vestiu literalmente a camisa do evento, ao participar da corrida como atleta. “Estar nessa corrida celebrando os 20 anos da Lei Maria da Penha serve para comemorar os avanços que nós tivemos, mas também pra pararmos pra pensar e colocar pra sociedade os avanços que nós ainda temos que correr atrás. Fazendo um paralelo com a corrida, eu, simbolicamente, calço o tênis não só como delegada de polícia, mas como mulher e cidadã sinopense no sentido de instigar a sociedade para mostrar que só caminhando juntas e por meio da rede de enfrentamento a gente consegue diminuir esses índices de violência contra meninas e mulheres”, defendeu.

Primeiro colocado geral da 3ª Corrida Maria da Penha, o atleta Moisés Rodrigues Rezende apoia a causa do evento. “É válido! É muito bom porque a gente sabe que tem muita mulher que tem seus direitos violados não só dentro de casa, mas no meio da sociedade, no trabalho. Essa causa é importante não só hoje, mas sempre”, disse.

A atleta Ivone Terezinha Bassegio, segunda colocada na categoria feminina, comemorou seu desempenho e elogiou a proposta da corrida. “Sensação incrível! Resultado do jeito que eu imaginava, estou meio lesionada, mas eu falo que você se dedicando e pondo sempre a força, a vontade e a garra, você vai onde você quiser. O evento é maravilhoso! Todo ano eu participo e falo que tanto a mulher quanto o homem tem que respeitar um ao outro”.

om uma Rede de Enfrentamento à Violência Doméstica atuante, composta por mais de 30 instituições públicas e privadas, Sinop é o quarto município do estado em número de medidas protetivas concedidas. Somente de janeiro a maio deste ano, foram 431 medidas protetivas concedidas pelo Poder Judiciário. E a proteção não se limita a isso, conforme explica a juíza Rosângela Zacarkim. “Assim que chega o pedido de medida protetiva, no mesmo dia, a gente analisa e encaminha por e-mail para as instituições que compõem a rede, como CREAS, polícias, Ministério Público, Secretaria de Assistência Social do Município e eles entram em contato com as mulheres para que elas recebam o atendimento necessário”. 

Dentre esses serviços estão a Patrulha Maria da Penha, realizada pela Polícia Militar, que, em Sinop, visita não só a casa da mulher vítima, mas também do agressor, que passa a ter que morar em outro endereço após a decisão judicial. No próprio Fórum de Sinop, as mulheres são convidadas a participarem de círculos de construção de paz. Outra iniciativa são as rodas de conversas realizadas pelo Centro de Referência Especializado de Assistência Social (CREAS), onde também há direcionamento para programas e projetos sociais para as mulheres e seus filhos. 


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