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Dresch diz que Cuiabá tem R$ 43 milhões a receber e detona Corinthians, Santos e mais clubes: “Estelionato esportivo”

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Redação Só Notícias (foto: assessoria/arquivo)

O presidente do Cuiabá, Cristiano Dresch, voltou a criticar o Corinthians pelo atraso no pagamento referente à contratação do volante Raniele, negociado pelo clube mato-grossense em 2024. Em entrevista exclusiva ao “Fala a Fonte”, no YouTube da ESPN, hoje, o dirigente também criticou a renovação do atacante Memphis Depay e cobrou medidas mais rígidas contra clubes que não cumprem compromissos financeiros.

A dívida do Corinthians com o Cuiabá foi levada à Câmara Nacional de Resolução de Disputas (CNRD) da CBF, que determinou o pagamento do valor em 24 parcelas. Segundo Dresch, o clube paulista deixou de quitar uma parcela em julho e terá outra com vencimento previsto para outubro.

“O caso do Cuiabá em 2024 com o Corinthians foi emblemático. Eles compraram o Raniele da gente em 2024. Jogamos com o Corinthians na casa deles e empatamos. No segundo turno, apareceram em Cuiabá com outro time! Com Memphis, etc. Perdemos lá dentro… Não foi isso que fez a gente cair, mas foi importante”, afirmou.

Dresch também revelou que o Cuiabá sofreu recentemente um transfer ban por não conseguir honrar pagamentos. Segundo ele, a situação foi provocada principalmente pelo impacto das dívidas de outros clubes, que somariam R$ 43 milhões a receber e comprometeram o fluxo de caixa do Dourado.

“O Cuiabá hoje está sob transfer ban. Já temos o dinheiro para pagar, mas por que levamos? Porque essas dívidas arrebentaram nosso fluxo de caixa. A gente tem que arrumar dinheiro de qualquer jeito, e isso nos atrapalha demais. Se eu tivesse um terço desse dinheiro que tenho para receber, uns R$ 12 milhões desses R$ 43 milhões, a gente estaria em outra situação”, declarou.

Ao comentar a renovação de Memphis Depay com o Corinthians, o dirigente classificou a negociação como “absurda” e afirmou que o clube paulista ficou limitado pelas próprias dificuldades financeiras. “Eu achei absurda a renovação (de Memphis Depay com o Corinthians). O contrato inicial do Memphis já era absurdo, a renovação foi absurda, mas o Corinthians ficou de mãos atadas… Já estavam com transfer ban, não iam conseguir contratar ninguém, então tiveram que renovar. É um caos administrativo. Sei que é difícil para um time do tamanho do Corinthians”, disse.

O presidente do Cuiabá também cobrou medidas mais rígidas da Anresf (Agência Nacional de Regulação e Sustentabilidade do Futebol), criada pela CBF para atuar no cumprimento das regras de fair play financeiro. Para Dresch, o transfer ban não é suficiente para pressionar clubes a quitarem suas dívidas, e outras punições, como perda de pontos, deveriam ser aplicadas.

“Essa agência (de fair play financeiro) que a CBF criou vai começar a partir do ano a cobrar as dívidas anteriores a 2026. Ela precisa começar a agir. Alguns vão ter que morrer, ou entrar num estado bem difícil, para salvar o todo”, afirmou.

Dresch citou ainda clubes como Santos, Vasco e Botafogo ao defender uma fiscalização mais rígida sobre as finanças das equipes. Segundo ele, a falta de punições mais severas prejudica clubes que mantêm os compromissos em dia. “Esse problema existe porque vivemos num mercado sem regulação e sem punição. O transfer ban hoje está se mostrando insuficiente. Precisa ter perda de pontos. O Corinthians, se tivesse ameaçado perder três pontos, esse dinheiro já teria saído de algum lugar. O Santos também. O Vasco vai permanecer na Série A através de um estelionato esportivo. É ruim para clubes como Mirassol, como o Remo, que está com tudo em dia e está ameaçado de cair”, declarou.

O dirigente também questionou a capacidade de clubes endividados realizarem contratações e citou o Santos, que, segundo ele, deve R$ 18 milhões ao Cuiabá. “Como um clube (Santos) que deve R$ 18 milhões ao Cuiabá contrata um jogador pagando R$ 2 milhões por mês? Nomes como Arthur, Cebolinha, que vão fazer diferença na tabela de classificação. Foram lá em Belém e ganharam do Remo, vão ficar na Série A. Como você acha que o Mirassol se sente? O Vasco entrou em recuperação judicial e deu um cano gigantesco, o Botafogo também. Isso é injusto”, afirmou.

Por fim, Dresch destacou o impacto dos valores que o Cuiabá tem a receber na realidade financeira do clube. Segundo ele, a folha salarial atual do Dourado é de aproximadamente R$ 1,6 milhão por mês. “A folha salarial do Cuiabá hoje é de R$ 1,6 milhão por mês. Esse dinheiro que entraria para mim é a sobrevivência. Eu vou sempre defender meu clube. Considero o (Osmar) Stabile [presidente do Corinthians] uma pessoa séria, mas pegou um problema importante”, finalizou.

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