Cerca de dois meses atrás, Botafogo e Vasco conviviam com a esperança de conquistar uma vaga na Copa Libertadores e até mesmo com o título do Campeonato Brasileiro. Depois de 30 rodadas já disputadas, porém, as duas equipes estão longe de viver um bom momento na competição. E é neste cenário de crise que os dois clubes realizam neste domingo, às 16 horas (de Brasília) no Maracanã o clássico carioca para driblar a crise.
Ex-líderes, os botafoguenses amargaram quatro derrotas nas últimas quatro partidas no Brasileirão e vêm despencando na tabela, aparecendo agora na oitava colocação, com 42 pontos. Situação pior vivem os cruzmaltinos, donos de 40 pontos e com a modesta 11ª posição e que, para piorar, não vencem há oito jogos no certame.
O duelo entre Botafogo e Vasco, assim, servirá muito mais para que um dos times possa respirar mais aliviado e ganhe novo ânimo para continuar sonhando com a vaga na Copa Libertadores da América de 2008. Quem perder, contundo, poderá passar a ver de perto a ameaça do rebaixamento para a Série B da próxima temporada.
Técnico e ânimo novos: No Botafogo, a principal atração no clássico deste domingo é a volta do técnico Cuca, que foi readmitido dez dias depois de ter se demitido do cargo, após a eliminação da Copa Sul-americana diante do River Plate. O treinador reestréia no clube equipe três jogos, todas sob o comando de Mário Sérgio.
“Pouco mudou de lá para cá, pois fiquei apenas dez dias afastado do Botafogo”, minimizou o comandante. “Os jogadores são os mesmos e a vontade de vencer também. Nesse momento estamos concentrados em fazer um grande jogo e ajudar o Botafogo a conseguir um resultado positivo. O time precisa voltar a ganhar”, completou.
Para cumprir este objetivo, o time alvinegro deixou o assédio da torcida carioca e passou alguns dias na cidade de Itu, no interior de São Paulo. Com a bateria recarregada e a confiança novamente em alta, o time acredita em uma vitória no clássico para confirmar a qualidade do time.
“A ida para Itu foi muito boa”, analisou o zagueiro Alex. “Agora, o time tem que voltar com aquela confiança dentro de campo, com aquele futebol bonito e com o bom astral. Não conseguimos chegar àquele nível de jogo no começo do campeonato por acaso, mas vários fatores fizeram com que chegássemos àquela situação ruim”, emendou.
O meia Lúcio Flávio, por sua vez, acredita que o jogo de domingo servirá para definir o rumo de Botafogo e Vasco no Brasileiro. “São duas equipes que estão desgastadas, que não conseguem vitórias, mas que precisam melhorar. Ficar sem vencer abala emocionalmente, mas o clássico dá aquela embalada para o resto do campeonato. E quem perder deixa de sonhar com a Libertadores para se preocupar com a turma que vem de baixo”, alertou.
Alex, porém, preferiu deixar de lado a análise e enfatizou a necessidade da vitória. “Temos que esquecer de buscar a vaga para a Libertadores para nos concentrar no resultado positivo e nos três pontos, que vão ser muito importantes para o time”, declarou.
Apesar de estar mais próximos da zona de rebaixamento, os botafoguenses garantem que ainda sonham com a classificação para a próxima Copa Libertadores, mas o sonho passa obrigatoriamente por um triunfo neste domingo.
Cuca só deverá definir a formação que vai a campo no vestiário, minutos antes do confronto. Isso porque espera pela situação de Zé Roberto, que é dúvida por causa de um incômodo muscular na coxa esquerda. Caso o meia seja vetado pelo departamento médico, o lateral-direito Joílson, que cumpriu suspensão automática na derrota de 2 a 1 para o Santos na rodada passada, deverá ser deslocado para o meio-de-campo, com Alessandro ocupando a ala direita.
Quem também chegou a assustar a torcida alvinegra foi o atacante Dodô, que ficou de fora de dois treinamentos ao longo desta semana por conta de dores no calcanhar esquerdo. Já o zagueiro Alex ficou afastado dos gramados para se recuperar de uma frieira no pé direito.
O desfalque certo por enquanto é o zagueiro Juninho, que recebeu o terceiro cartão amarelo diante dos santistas. Com isso, a dupla de zaga deverá ser formada por Alex e Renato Silva, com o lateral-esquerdo Luciano Almeida exercendo a função de terceiro zagueiro quando o Botafogo estiver na defensiva.
Hora de crescer: Em São Januário a situação é um pouco mais delicada. Longe dos tempos de calmaria que atravessava, o Vasco tenta reencontrar o seu caminho. O técnico Celso Roth mostra-se repetitivo em seu discurso e continua relacionando os maus resultados sempre à falta de maturidade de sua equipe pelo momento de instabilidade. Mesmo assim, o treinador cobra uma recuperação imediata de seus comandados.
“O Vasco não está legal”, reclamou o treinador. “Estamos fazendo algumas boas partidas, mas está faltando alguma coisa. Vínhamos fazendo um Campeonato Brasileiro muito bom, depois achamos que as coisas iam acontecer normalmente e a vida não é assim. Nesse momento, temos que ter um algo mais. Estamos deixando passar a oportunidade e não podemos mais permitir que isso aconteça”, prosseguiu.
O que pode dar mais experiência ao time vascaíno dentro de campo contra o Botafogo pode ser o retorno do atacante Romário. O Baixinho, de 41 anos, está recuperado de uma cirurgia no tornozelo e poderá voltar a campo neste domingo para ajudar a sanar a falta de gols e dar mais sustentação a Celso Roth no cargo.
Apesar de prestigiado no cargo pela diretoria cruzmaltina, mesmo após a derrota por 2 a 0 para o América do México pela Copa Sul-americana, Roth sabe que uma derrota no clássico pode tornar sua permanência no Vasco insustentável. Nos corredores de São Januário, algumas especulações já dão conta de que Antônio Lopes poderia voltar ao clube na reta final deste Brasileiro, mas o atual comandante assegura que Eurico Miranda, não tomará nenhuma decisão por pressão.
“O presidente do Vasco esteve comigo no México e pôde presenciar todas as nossas deficiências. O Eurico é um presidente único. Se ele refletir junto com a diretoria que o meu trabalho não é bom, com certeza não vai esperar pressão de opinião pública para tomar uma atitude”, avisou.
Ignorando a central de boatos que toma conta do Vasco, o técnico tenta montar sua equipe para buscar a reabilitação. Do time que perdeu na última rodada do Brasileiro, Celso Roth saca o lateral-direito Eduardo e o meia Roberto Lopes para as entradas de Wagner Diniz e Perdigão, que cumpriram suspensão automática. Já o lateral-esquerdo Rubens Júnior, que recebeu o terceiro cartão amarelo, dá lugar a Guilherme. Sem muito tempo para trabalhar a equipe após a cansativa viagem ao México, o treinador cruzmaltino só deve confirmar outras possíveis mudanças nos vestiários do Maracanã.
Tabu: Desde que encerrou a carreira como jogador e se tornou técnico de futebol, Cuca jamais sentiu o gostinho de ser derrotado pelo Vasco. Só no comando do Alvinegro de General Severiano foram cinco confrontos, com três vitórias e dois empates.
O bom retrospecto, porém, é minimizado diante da importância da história dos confrontos entre Bota e Vasco. “Isso não tem importância nenhuma. Só me dei conta desse retrospecto quando a imprensa começou a divulgar o fato. Mas cada jogo tem a sua história e o Botafogo não será beneficiado por esse retrospecto”, garantiu.
Ficha Técnica
Botafogo x Vasco
Local: Maracanã, no Rio de Janeiro (RJ)
Data: 14 de outubro de 2007, domingo
Horário: 16 horas (de Brasília)
Árbitro: Péricles Bassols (RJ)
Assistentes: Dibert Pedrosa (RJ) e Ediney Mascarenhas (RJ)
Botafogo: Júlio César; Joílson, Alex, Renato Silva e Luciano Almeida; Leandro Guerreiro, Coutinho, Lúcio Flávio e Zé Roberto (Alessandro); Jorge Henrique e Dodô
Técnico: Cuca
Vasco: Sílvio Luiz; Jorge Luiz, Júlio Santos e Vílson; Wagner Diniz, Amaral, Perdigão, Dário Conca e Guilherme; Alan Kardec e Leandro Amaral
Técnico: Celso Roth