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Brasil e Paraguai avançam em negociações para concessão de hidrovia com trechos em Mato Grosso

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Redação Só Notícias (foto: assessoria)

No Paraguai, o ministro de Portos e Aeroportos, Tomé Franca, participou hoje da 68ª Cúpula de Chefes de Estado do Mercosul e Estados Associados, em Assunção, ao lado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. No encontro, um dos principais temas defendidos pelo Brasil foi o avanço da concessão da Hidrovia do Rio Paraguai, considerada estratégica para ampliar a competitividade e o comércio entre os países do bloco.

A hidrovia é um dos principais corredores logísticos da América do Sul. Com mais de 1,3 mil quilômetros em território brasileiro, liga Cáceres, em Mato Grosso, até a foz do Rio Apa, na divisa com o Paraguai, e integra um sistema hidroviário que se estende até Nueva Palmira, no Uruguai. O corredor é fundamental para o transporte de minérios, grãos e produtos agropecuários produzidos no Centro-Oeste, conectando a produção brasileira aos mercados internacionais por meio da Bacia do Prata.

Durante a Cúpula, o presidente Lula reforçou a importância da pauta para a integração regional. “A Hidrovia Paraguai-Paraná constitui outro pilar da nossa integração. O fortalecimento de sua governança, alicerçada na liberdade de negociação, na cooperação e no diálogo entre os países da Bacia do Prata, permitirá explorar plenamente seu potencial”, afirmou.

Para o ministro Tomé Franca, a cooperação entre os países é fundamental para viabilizar o projeto, que vai ampliar a conexão entre os países do Mercosul. “Essa é uma pauta prioritária para o Governo do Brasil e para o Ministério de Portos e Aeroportos (MPor). Entendemos a importância da hidrovia para o desenvolvimento do Brasil e da América do Sul como um caminho para garantir segurança jurídica e segurança operacional”, pontuou.

Na reunião bilateral com a ministra de Obras Públicas e Comunicações do Paraguai, Claudia Centurión, Tomé Franca destacou o interesse em concluir, ainda em 2026, o acordo bilateral necessário para a implementação da concessão dos trechos compartilhados da hidrovia. A expectativa é de que, após a homologação do entendimento entre os países, sejam adotadas as medidas para conceder os serviços essenciais à navegação, conforme as deliberações da comissão mista responsável pelo projeto.

A ministra Claudia Centurión afirmou que os países alinharam premissas consideradas fundamentais para o avanço das negociações, entre elas a adequação do modelo de concessão proposto pelo Governo brasileiro e a necessidade de dar celeridade ao processo. “Definimos que será realizada uma nova rodada de negociações na segunda quinzena de julho, quando será apresentada uma contraproposta brasileira acompanhada de um cronograma com as etapas previstas até o fim do ano”, ressaltou.

E reforçou que a Hidrovia Paraguai-Paraná é estratégica para o desenvolvimento econômico do país e para a integração regional. “Queremos consolidar a hidrovia como um grande corredor para o comércio e para a circulação de pessoas e bens. Estamos comprometidos em seguir investindo e construindo uma visão de longo longo prazo que fortaleça o crescimento e a competitividade da região”, finalizou Claudia Centurión.

Além das negociações para a concessão, o Governo do Brasil está ampliando os investimentos no setor. Entre os destaques está o recurso de R$ 4,32 bilhões, priorizado pelo Fundo da Marinha Mercante (FMM), com apoio do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), para a construção de 400 balsas mineradoras e 15 empurradores fluviais destinados ao transporte de minério pelos rios Paraguai e Paraná.

O projeto vai ampliar a capacidade da navegação interior, fortalecer a indústria naval brasileira e deve elevar em 16% a frota nacional de transporte hidroviário de cargas, além de gerar cerca de 5,5 mil empregos diretos e indiretos. O ministro Tomé Franca destacou que o Brasil trabalha para avançar nas tratativas e construir uma solução conjunta com os países que compartilham a hidrovia. “É do nosso forte interesse conseguir avançar com essa concessão. Precisamos que cada um dos países envolvidos esteja integrado e se posicione para que possamos avançar nas tratativas”, disse.

A reunião bilateral integrou a programação da 68ª Cúpula de Chefes de Estado do Mercosul e Estados Associados, realizada também em Assunção. Ao lado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o ministro Tomé Franca participou do encontro que reuniu líderes dos países membros e associados do bloco para discutir medidas de aprofundamento da integração regional, fortalecimento do comércio, agenda social e desenvolvimento.

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