Domingo a Avenida Paulista estava cheia. Mas não é por isso que foi assustadora. E sim pelo recado que deixou. Lula talvez não queira portar-se como um candidato masoquista. Mas seus atos e declarações mostram que de fato tem sido. Talvez inconscientemente, concluiria Freud, como forma de evitar o ônus terrível de receber sua própria herança, ou talvez como forma de buscar logo a aposentadoria, ao entrar nos 80 anos e ir descansar com a Janja. O evento de domingo na Paulista mais assustou o brasileiro eleitor e mais estimulou uma votação anti-Lula.
Os organizadores só anteviram perigo em relação a Ana Elisa; por isso evitaram que ela estivesse lá. A moça já havia deixado nas redes o ódio aos brancos, às igrejas, aos crentes, a Frei Gilson; e apoio ao aborto livre, à censura de Moraes contra as redes, entre outros radicalismos. Evitaram Ana Elisa mas não conseguiram evitar Janja, embora a pressão que fizeram em reuniões do pós primeiro turno. E ela fez discurso pedindo para trocar as armas pela constituição nas mãos das crianças. Foi irônico, porque nunca se soube que ela tenha insistido com o marido para que cumprisse o juramento solene de defender a Constituição, quando tantas vezes a Lei Maior foi rasgada por mãos do Supremo e Lula ficou omisso – e perjuro.
Tristes figuras, puseram, para supostamente atrair votos, derrotados no primeiro turno: Haddad, Marina, Tebet, além de Lula e Alkmin. Vitoriosos distantes vieram trazer seus eflúvios: governadores Jerônimo, da Bahia, Fontelles, do Piauí e Elmano, do Ceará. Ao apresentar Elmano, Lula gabou-se de que o reeleito havia enterrado a carreira de Ciro Gomes. Com isso, provocou Ciro, que teve 2,5 milhões de votos no Ceará; agora declarou que vai trabalhar por Flávio, que teve 1,75 milhões e ganhou a chance de aumentar bastante seu acervo de votos no 2º turno, por estímulo de Lula.
O pior foi no fim. A explosão do ódio divulgadas nas redes. Já separei o que não foi desse domingo. Um jovem munido de um maçarico tocou fogo na bandeira americana; outro pisoteou o símbolo da maior democracia do planeta. Um jovem de torso nu e rosto coberto, agitava uma bandeira palestina sobre o teto de uma estação de metrô que estava sendo vandalizada. Imitou o gesto icônico que se repete desde Paris 1968. Uma senhora foi retirada de uma lanchonete protegida pela polícia, porque estava sendo ameaçada. Os gritos contra ela são um aviso sobre o ódio que estava municiando as mãos que atacaram a estação do metrô. Não era gente pacífica. Era gente com ódio. A paulista cheia mostrou para os indecisos, força e poder. Mas também serviu para o mesmo público de amostra e alerta: como na Paulista, assim no Brasil.


