quarta-feira, 4/fevereiro/2026
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Na Ferida

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Sem entender o que se passa entre o Hamas e Israel, o governo do Brasil chamou para consultas seu embaixador em Jerusalém, o que equivale a demonstrar dura reprovação aos israelenses. Em lugar de também tirar seu embaixador de Brasília, Israel limitou-se a dizer que, com isso, o gigante brasileiro demonstra sua irrelevância diplomática. As autoridades brasileiras ficaram furibundas. O chanceler de fato, Marco Aurélio Garcia,  esbravejou um palavrório compatível com arquibancada de futebol e coerente com o gesto de top-top na tragédia do avião da TAM em Congonhas. Ninguém no mundo desenvolvido deu importância à irrelevante reação brasileira.

A política externa brasileira, conduzida pelo assessor da Presidência e não pela Casa de Rio Branco, deve fazer revolver os ossos do Barão. Ficou atrelada ao bolivarianismo. Os tempos de pragmatismo responsável pereceram ante a fé ideológica. Por exemplo, o governo protestou energicamente contra os países Europeus que não permitiram o uso do espaço aéreo pelo avião de Evo Morales, mas permaneceu cego ante a derrubada, por rebeldes pró-Rússia, do avião malaio, matando quase 300 pessoas. A nossa presidente chegou a sugerir que fora um míssil ucraniano destinado ao avião de Putin, na rota Brasília-Moscou(que, aliás, passa por cima de Varsóvia…).

Em Honduras, o  legalmente deposto Manuel Zelaya, fez de nossa embaixada uma casa-de-mãe-joana; na Bolívia, Evo Morales invadiu militarmente instalações da Petrobrás e ficamos mudos; mandou revistar o avião do nosso chanceler e ficamos com o rabo entre as pernas; precisou de um diplomata corajoso para retirar da embaixada um senador asilado, porque o governo brasileiro tremia de medo; Cristina Kirchner nos manda excluir o Paraguai do Mercosul e respondemos com subserviência; Chavez nos empurra o conto da refinaria em Pernambuco e ficamos quietinhos; mata opositores e olhamos para outro lado; hospedamos na residência presidencial do Torto a mais antiga ditadura do mundo e nem coramos; as visitas de nossos governantes à Europa têm tido episódios ridículos.

Somos um gigante econômico, beneficiado pela natureza e povoado por gente boa. Mas não sabemos o que fazer com isso.  Nós preferimos voltar ao atraso. Nem o governo militar misturou ideologia com política externa. Foi o primeiro a reconhecer o governo socialista de Angola, de Agostinho Neto; apoiou o voto anti-sionismo na ONU, reatou relações com a China Comunista deixando a capitalista Taiwan de lado. Agora Israel manda um míssil que acerta a ferida: “irrelevante”.

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