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Leão das liberdades

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Alexandre Garcia

O Master, o Careca da Previdência, a Venezuela, o Irã, nesses dias ocuparam no noticiário um espaço que deveria ser da manifestação seminal do Papa Leão XIV, na tradicional reunião de início de ano, no Salão das Bênçãos, com diplomatas de 184 países.  É o discurso o mais abrangente do Papa – de Roma para o Mundo. Mencionou cada um dos grandes problemas da humanidade, confirmando que Habemos Papam! Destaco:  “A guerra voltou a estar na moda e um fervor bélico está a alastrar.” E a família: “A subestimação do papel social da família está levando à sua progressiva marginalização institucional. A vocação ao amor e à vida se manifesta na união exclusiva e indissolúvel entre a mulher e o homem.” E, destaque maior, a opressão das liberdades de opinião, de expressão, de consciência. “Não podemos esquecer o sofrimento de tantos detidos por motivos políticos, presentes em muitos países.”

Chefe de uma Igreja que, por 407 anos tinha o Índice dos Livros Proibidos, só extinto por Paulo VI em 1966, o Papa Leão, com esse discurso, se mostra um paladino das liberdades de expressão, de consciência, de religião e até de viver. Alerta um mundo que não está percebendo que essas liberdades estão sendo restringidas. “É doloroso constatar que, especialmente no Ocidente, os espaços para a liberdade de expressão estejam cada vez mais a ser reduzidos, enquanto se desenvolve uma nova linguagem, ao estilo de Orwell, que, na tentativa de ser cada vez mais inclusiva, acaba por excluir aqueles que não se adaptam às ideologias que a animam.” O Papa americano conhece muito bem a tirania do movimento Woke, nascido na Califórnia. 

Ouça o Papa: “Quando as palavras perdem a sua correspondência com a realidade e a própria realidade se torna sujeita a opiniões e, em última análise, incomunicável, tornamo-nos como aqueles dois, de que fala Santo Agostinho, que são obrigados a permanecer juntos sem que nenhum deles conheça a língua do outro. A linguagem já não é o meio privilegiado da natureza humana para conhecer e encontrar, mas, nas malhas da ambiguidade semântica, torna-se cada vez mais uma arma com a qual se engana ou se atinge e ofende os adversários. Precisamos que as palavras voltem a expressar de forma inequívoca realidades certas.” E, mais adiante: “Isso deve acontecer nas nossas casas e praças, na política, nos meios de comunicação e nas redes sociais, bem como no contexto das relações internacionais e do multilateralismo, para que este último possa recuperar a força necessária para desempenhar aquele papel de encontro e mediação, necessário para prevenir conflitos, de modo que ninguém seja tentado a sobrepor-se ao outro pela lógica da força, seja ela verbal, física ou militar.” “É importante notar que o paradoxo deste enfraquecimento da palavra é com frequência reivindicado em nome da própria liberdade de expressão. No entanto, se olharmos bem, é verdade o contrário: a liberdade de palavra e de expressão é garantida precisamente pela certeza da linguagem e pela certeza de que cada termo está ancorado na verdade.”

Cada um inventa o seu direito, sem se importar com os direitos de todos. “Isso ocorre quando cada direito se torna autorreferencial e, sobretudo, quando perde a sua conexão com a realidade das coisas, a sua natureza e a verdade.” As palavras não significam mais a realidade e a verdade. Isso é trágico para nos entendermos. Por isso temos uma Língua comum. A Constituição do Brasil diz, no art. 13, que é o Português. Os Legislativos do Amazonas e de Santa Catarina, e os dos municípios de Porto Alegre, Murié MG e São Gonçalo RJ, fizeram leis proibindo nas escolas e serviços públicos a linguagem neutra, que não existe na Língua Portuguesa. Mas o Supremo não permitiu que defendessem a Constituição. Alegou que é prerrogativa da União regrar o ensino, quando deveria prevalecer a defesa da principal ferramenta de ensino, que é a Língua. A  falácia woke conquista até mentes bem-intencionadas. Ao votar, a Ministra Cármen Lúcia afirmou que proibir a linguagem neutra viola a liberdade de expressão; mas contraria o Papa, a Língua Portuguesa, a natureza e a Constituição. 

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