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De Chacrinha a Esopo

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A presidente começou a semana promovendo uma reunião entre alguns ministros para mandá-los melhorar a comunicação. Deve lembrar dos anos em que ela lutava para implantar uma democracia cubana no Brasil, em que Chacrinha repetia o bordão: quem não se comunica se trumbica. Mas não basta isso nem isso é o principal quando se é governo. O principal de um governo são bons resultados na saúde, na educação, na segurança, na Justiça, na economia… Bons resultados dispensam propaganda. Aliás, quem precisa de propaganda é o mau chefe de governo. 

A propósito das manifestações do dia 15, a Presidente ocupou as programações das rádios e da TV para atribuir a culpa de tudo à crise mundial, aos meios de informação e à falta de chuvas. O mundo todo está crescendo, as chuvas estão inundando o país e os jornais, tevês, rádios e revistas informam sobre as benfeitorias e malfeitorias do governo. Portanto, não é uma questão de comunicação. Que foi muito usada da campanha e resultou em reeleição. Como não há o recall do Código do Consumidor para a política, não se aplica o artigo 37 da Lei: “É proibida a propaganda enganosa ou abusiva.” Nem o art. 66 do código, que considera crime “Fazer afirmação falsa ou enganosa ou omitir informação relevante sobre produtos ou serviços”. 

Voltaire, ironizando a Igreja Católica, escreveu, há 300 anos “menti, menti; algo sempre ficará”. O Ministro da Propaganda de Hitler, Joseph Goebbels, levou isso ao pé-da-letra e convenceu os alemães, tão lidos e educados. Agora você pode supor por que aqui no Brasil com péssimo ensino se dá importância prioritária à tal “comunicação” do governo. Fica fácil enganar, engambelar, inventar; governar muito bem, só na saliva. O papo substitui o fato. E se os meios de informação mostram diferente, é porque são “conspiradores”. Se o povo vai às ruas aos milhões mostrar que não é assim, é “golpismo”, e não uma manifestação da democracia. Se o mundo insiste em crescer, contrariando a versão do governo brasileiro,  é “para evitar que o Brasil se transforme em potência econômica”. Se chove ou se não chove, são os fatores climáticos que não ajudam. 

Nessa maneira estranha de governar pela propaganda, gastam-se bilhões que poderiam estar formando professores e escolas. Mas se houver bons professores e boas escolas, de que valeria a propaganda? As pessoas estariam devidamente esclarecidas para não aceitar o engodo. Como sobreviver no poder? Ora, além de Voltaire aplica-se o conselho que Filipe da Macedônia deu a seu filho Alexandre: “divide e governa”. Divide-se o país em ricos e pobres, em brancos e negros, em progressistas e reacionários, em civis e militares, em direita e esquerda, e se compara tudo com um campeonato de futebol, cheio de adversários, porque disso o brasileiro entende. Só não se pode entender que para manter o poder e suas benesses fartas, destrua-se o país. Aí, faltou conhecer Esopo e sua fábula da galinha dos ovos de ouro.

 

 

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