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A Dureza de Dilma

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Ontem no Rio o governo botou a polícia contra manifestantes grevistas e contra privatizações, que queriam impedir a entrada da Presidente no Teatro Municipal, para entregar medalhas da Olimpíada de Matemática. Há muito a presidente endureceu com os grevistas. Deu-lhes um ultimato que já se esgotou: o sindicato que assinar acordo aceitando a proposta de governo, recebe os 15,8% em três anos. Quem não assinar, nada recebe. Ela chamou a polícia para os grevistas que ameaçavam passar dos limites do Palácio do Planalto e fez o mesmo em relação aos Trabalhadores sem Terra. A resposta para ambos foi cassetete e gás-de-pimenta. Houve tempo em que era o PT que assediava o palácio. Agora é o mesmo PT, mas assedia o governo do PT.

A presidente não tem origem petista, mas brizolista; no Rio Grande, integrava o governo do PDT de Alceu Collares. Muitos petistas acham que ela está indo longe demais. Ela acha que o PT está indo longe demais, principalmente a ala sindical. Com mais de ano e meio de presidência, Dilma aparece com as características mostradas quando ministra das Minas e Energia: ela decide, pouco delega, cobra, fiscaliza, impõe suas posições e passa pito nos seus auxiliares. Passa descompostura em ministros. Alguns já se queixam da centralização e as cobranças.
Economista, tem sido inflexível no controle das contas do executivo. É por isso que decidiu que não pode ir além dos 15,8% e mandou cortar o ponto. O corte foi pouco eficaz. Só serviu para lembrar a presidente que o ponto eletrônico, introduzido em 1996, ainda não está implantado na maciça maioria dos órgãos federais. O velho controle por assinatura em folha é falho. Também falha a ameaça de substituir a Polícia Federal grevista pelo Exército. Os militares não têm condições de servirem como polícia judiciária, de investigar, fazer perícias criminais e realizar inquéritos. Nem estão dispostos a isso.

Muito diferente do antecessor dela. O antecessor, em plena campanha eleitoral, já teria cedido, já teria apresentado algum pacote de bondades. Ela está sendo dura sem se importar com consequências eleitorais. E com as privatizações, ela está mais para Dama-de-Ferro. Alguns a chamam de generala(a boca pequena, é claro). Ela lembra a dureza do general Geisel. Mas há diferenças, além do fato de que Geisel foi eleito pelo Congresso, derrotando o doutor Ulysses e Dilma teve o voto popular, direto e secreto. Geisel nunca privatizou, embora nacionalista, como Dilma. Nas ironias brasileiras, quem privatizou foi o sociólogo marxista, FHC e o governo petista, ambos de esquerda. O de direita deu ênfase ao fortalecimento do estado. E ontem, no Rio, ao entregar prêmio de matemática. Chamou o evento de "festa da meritocracia". Usou o argumento principal de quem condena as cotas raciais

 

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