A Fundação Rio Verde informou, hoje, que está em andamento pesquisa que busca de ampliar o conhecimento sobre o comportamento do bicudo-do-algodoeiro (Anthonomus grandis), uma das principais ameaças à cotonicultura brasileira, buscando alternativas mais eficientes para o manejo, além de gerar informações que possam fortalecer o controle nas lavouras.
Entre os pontos analisados pela pesquisa estão os parâmetros biológicos do inseto, a sobrevivência entre safras, movimentação no ambiente e comportamento em períodos de transição climática, especialmente durante a saída do período chuvoso e entrada da estiagem. Além do entendimento biológico, a proposta da pesquisa também busca integrar informações relacionadas à tecnologia de aplicação, eficiência de produtos químicos e biológicos e futuras estratégias ligadas ao melhoramento genético. A ideia, de acordo com a pesquisadora
Um dos aspectos que chama a atenção é a permanência do bicudo em áreas agrícolas mesmo fora do período tradicional da cultura do algodão. De acordo com a pesquisadora, a literatura tradicional aponta que, após a colheita, a tendência é o inseto entrar em um período de dormência, conhecido como ‘diapausa’, permanecendo em áreas de vegetação até o retorno da cultura. No entanto, os levantamentos realizados pela equipe indicam um cenário diferente na região.
Coordenado pelo setor de Entomologia da fundação, o estudo é desenvolvido em parceria com a Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) e integra uma dissertação de mestrado conduzida pela assistente de pesquisa, Naiara Dias dos Santos, sob orientação técnica da pesquisadora e coordenadora de Entomologia da Fundação Rio Verde, Jéssica Gorri. O objetivo é aprofundar o entendimento sobre a biologia do bicudo no ambiente produtivo mato-grossense, confrontando dados obtidos em campo com informações já disponíveis na literatura científica. “Grande parte das referências existentes é baseada em estudos com mais de 15 anos e que não representam totalmente a realidade do nosso ambiente produtivo. Mato Grosso é referência na produção de algodão e precisamos entender como essa principal praga se comporta nas condições específicas da nossa região”, explicou, através da assessoria.
“Estamos observando a permanência do bicudo-do-algodoeiro em culturas de primeira safra, em plantas voluntárias, tigueras e até mesmo em áreas de vegetação. Queremos entender por que, na nossa região, esse comportamento pode estar acontecendo de forma diferente do que a literatura tradicional apresenta”, acrescenta. “Atualmente, o monitoramento contínuo e o manejo preventivo seguem sendo fundamentais no combate ao bicudo-do-algodoeiro, e a pesquisa busca justamente trazer mais argumentos técnicos para fortalecer o posicionamento no manejo, unindo biologia da praga, tecnologia de aplicação, eficiência de produtos e inovação genética”, reforça Jéssica.
Os estudos desenvolvidos pela Fundação Rio Verde representam a construção de soluções adaptadas à realidade mato-grossense.


