PUBLICIDADE

Pra que futuro ?

PUBLICIDADE

O que é mais escandaloso: a privatização ilegal da Petrobras pelo PT; a reação do governo em relação a isso; ou a postura dos eleitores em relação à corrupção? É óbvio que tudo é escandaloso mas uns são piores que os outros. O uso da Petrobras pelo PT não é diferente ao uso que o partido faz dos Correios e dos bancos estatais. Como se esse patrimônio não fosse do povo brasileiro, mas do partido no poder. Como os fins justificam os meios, segundo o princípio da ausência de ética, já que o dinheiro vai para a campanha eleitoral que, por sua vez, serve para permanecer no poder, isso é considerado normal. Afinal, o povo está distante dessas questões e perto do bolsa-família.

A reação do governo tem sido baseada no princípio acima, de que o povo está distante dessas questões. O governo finge uma coisa e faz outra. Enquanto se mobiliza para blindar o delator premiado na CPI e enquanto esvazia a investigação parlamentar sobre Petrobras; enquanto procura intimidar os delegados federais da operação lava-jato, a Presidente e seu Ministro da Justiça falam em ter dado ordens à Polícia para ser firme. Ora, os dois sabem que a Polícia Federal é orgão do estado brasileiro, não do governo, assim como o Ministério Público e o Judiciário. Aliás, ainda há juízes no Brasil. Se quisesse mesmo investigar, a Presidente teria há muito mobilizado a Corregedoria Geral da União e os órgãos de controle interno da Petrobras. Só estão fazendo isso agora, para efeito de vitrine.

E da Austrália a Presidente ainda deu sinais que não quer a revisão de todos os contratos com as empreiteiras envolvidas, como quer o TCU. Como assim? Elas não são suspeitas? A Presidente deve saber. Afinal, ela foi presidente do Conselho de Administração da Petrobras enquanto as propinas corriam soltas. O então presidente Lula, que nada sabia do Mensalão, obviamente nada sabia sobre o propinoduto da Petrobras. Casos óbvios de autismo. Agora o Conselho da Petrobrás quer ação civil contra o então presidente Gabrielli, pela compra desastrada de Pasadena. Para afastar as cobranças da então presidente do Conselho, Ministra Dilma.

O pior fica para o fim: a reação dos eleitores. A operação lava-jato veio a público em março. Desde então, o país inteiro sabe o que se passou na Petrobras. Também sabe, pela TV, rádio, jornais, do afundamento da economia brasileira por desastres administrativos do governo. Corrupção e incompetência têm sido o binômio dos noticiários por meses, com situação cada vez pior. Preços sobem, endividamento familiar piora, juros se elevam, a atividade econômica encolhe levando os empregos, mas 53 milhões de eleitores aprovam tudo e 39 milhões lavam as mãos como Pilatos e não votam. Devem estar gostando. Gente indignada marca manifestações contra a corrupção e aparecem uns poucos milhares; multidões incomparavelmente maiores prestigiam parada gay ou partidas de futebol. A maioria não liga mesmo para seu próprio futuro ou de seus filhos. Mas prá que futuro, se têm bolsa de presente?

PUBLICIDADE
PUBLICIDADE
PUBLICIDADE
PUBLICIDADE
PUBLICIDADE

Mais notícias
Relacionadas

Soberania relativa

Soberania entrou na Pauta e tem sido evocada agora...

Trapezistas sem rede

O ex-presidente do Supremo, ex-decano, Celso de Mello, escreveu...

Ética ou abismo

Entrei no Parque Güell em Barcelona e uma música...

Crie ética

Ernesto Geisel era chefe da Casa Militar do governo...
PUBLICIDADE