Número de acidentes com mortes aumentou 13% em Cuiabá este ano em relação ao ano passado, entre os meses de janeiro e outubro, segundo dados parciais de 2016 e 2017 da Secretaria de Estado de Segurança Pública (Sesp).
De acordo com a Delegacia Especializada de Delitos de Trânsito (Deletran), que atende ocorrências na Grande Cuiabá e instaurou 71 inquéritos este ano, a média é de 8 óbitos por mês (7,9) na capital. Também aumentaram um pouco, porém inexpressivamente, os acidentes com feridos gravemente ou não (2,35%). Somando os dois casos, foram mais de 4 mil vítimas (4.249), sendo quase 300 fatais (295).
Este problema tem sido de difícil controle porque motoristas, mesmo diante de tantas tragédias, não mudam o comportamento. Uma das preocupações do delegado titular da Deletran, Christian Cabral, é com relação à incompatibilidade entre álcool e volante. Ele explica que 2 exames indicam consumo de bebida alcoólica, que é o teste do bafômetro e o de sangue, chamado alcoolemia. “Estamos com um problema muito sério para confirmar estes casos em Mato Grosso porque, desde junho do ano passado, ou seja, há 1 ano e meio, a Politec não realiza o exame de alcoolemia, feito a partir da análise de amostras de sangue colhidas de pessoas envolvidos em acidentes e encaminhadas ao Instituto Médico Legal (IML). Com isso perdemos uma informação muito preciosa para responsabilizar culpados”, lamenta o delegado Christian.
Quanto ao bafômetro, segundo ele, quando a vítima, sendo ou não causadora do acidente, é retirada do local do sinistro, não faz o teste e também não faz alcoolemia, devido ao problema da Politec, que não tem material necessário e equipamentos desde 2016. A vítima que morre também não faz o bafômetro, nem a alcoolemia por motivo óbvio. “Então hoje nossas estatísticas, envolvendo mortos e feridos e embriaguez, não só na capital, mas em Mato Grosso como um todo, são totalmente falseadas, irreais, não temos como chegar a um número que corresponda à realidade”
Outros motivos de acidente são imprudência, negligência e imperícia. Neste tripé perigoso, a imprudência domina. Entre os casos mais comuns de imprudência, estão velocidade excessiva e ultrapassagem indevida. Já a negligência implica em desde dormir ao volante até um pai que não coloca o filho de menos de 10 anos no banco de traz, com a devida “cadeirinha” ou cinto de segurança. Para finalizar, a imperícia envolve a chamada “barberagem” muitas vezes cometida por quem não domina o volante. Isso remete a um outro problema que é a qualidade das aulas preparatórios dos novos motoristas.


