Cerca de 200 índios ocuparam alguns alojamentos e Interditaram a entrada de funcionários no canteiro de obras da usina hidrelétrica São Manoel, localizada entre os municípios de Alta Floresta e Paranaíta (391 quilômetros de Sinop), neste final de semana. As informações foram confirmadas pela assessoria da empresa, há pouco, ao Só Notícias.
No entanto, o setor de comunicação da usina não soube informar quais são as reivindicações dos indígenas. Engenheiros e diretores da unidade estão reunidos em um escritório, em Alta Floresta, esta manhã, para discutir sobre este assunto.
O coordenador regional da Fundação Nacional do Índio (Funai), Patxon Metuktire, informou, ao Só Notícias, que a ocupação é feita por índios das etnias Kayabi, Munduruku e Apiakás. “Eles cobram a efetivação imediata dos programas de compensação ambiental das áreas indígenas atingidas pela usina hidrelétrica. Essas compensações ainda não foram cumpridas e eles estão se sentindo enganados. Eles também querem garantia de autonomia indígena com os recursos que devem ser destinados para montar uma associação, por exemplo. Além disso, cobram maior agilidade na implantação dos projetos de compensação do Plano Básico Ambiental (PBA) na região”.
De acordo com os indígenas, a decisão de ocupar pacificamente a usina ocorreu após um encontro de índios mundurukus ‘Aya Cayu Waydip Pe’, no dia 10 de maio, na aldeia Santa Cruz, no município de Jacareacanga, no Pará. Neste encontro foram discutidos os problemas causados pela construção da empresa hidrelétrica, no rio Teles Pires, em Paranaíta.
Segundo informações do movimento integrado por organizações não governamentais, associações indígenas e movimentos sociais, desde o início do processo de construção das usinas no rio Teles Pires, os povos da região denunciam violações no processo, em especial, a falta de consulta livre, prévia e informada, como descrito na convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho, da qual o Brasil é signatário.
(Atualizada às 11h30)





