
Os desembargadores acataram a tese da defesa de que a prisão dos suspeitos não era mais necessária. O relator do processo no TJ, desembargador Orlando Perri, no mês passado, havia negado o pedido de soltura. Ele apontou que a apreciação do recurso impetrado pela defesa dos suspeitos deveria ser feito pelo órgão colegiado – como o que ocorreu agora.
De acordo com informações que constam no processo, o advogado dos dois ex-gerentes afirmou que eles se encontram presos por furto qualificado mediante fraude na empresa e que o juízo originário (de primeira instância) negou o pedido de liberdade. A defesa sustentou que a prisão preventiva deles não obedece todos os requisitos presentes no Código de Processo Penal e restando infundada a manutenção da prisão. “Não há requisitos suficientes para que a prisão dos pacientes sejam mantidas, em razão da falta de dados concretos que materializam sua necessidade”.
Além destes dois gerentes, foram presos outras três pessoas com cargos de confiança desta empresa. Ontem, conforme Só Notícias já informou, mais um gerente foi preso por suposto envolvimento no esquema. Ao todo, a Polícia Civil indiciou 22 pessoas, incluindo receptadores e parentes dos envolvidos. O esquema teria causado um prejuízo de R$ 13 milhões à empresa.
O inquérito policial das investigações iniciadas pela Polícia Civil em Sorriso foi encaminhado no dia 10 do mês passado ao Fórum da Comarca de Sinop, em razão da competência e por ser a cidade onde os crimes teriam sido praticados. As investigações foram presididas pelo delegado de Sorriso, Bruno Abreu, e pelo delegado de Sinop, Ugo Ângelo Rech de Mendonça.
Na investigação, a Polícia Civil pediu o sequestro de mais de R$ 7 milhões em bens móveis e imóveis, que teriam sido adquiridos pela organização criminosa. São casas, automóveis, terrenos e até uma fazenda, comprados pelos principais envolvidos, os cinco funcionários da empresa de fabricação e exportação de aço e metal.
Durante a operação, na cidade de Sinop, a Polícia Civil apreendeu, 2 motocicletas BMW, 1 moto Kavasaki 2 automóveis BMW, sendo um avaliado em R$ 200 mil; 1 Hilux Zero KM no valor de R$ 190 mil; 1 Saveiro Cross; 1 Pálio Atractive e uma GM S10. Casas, terrenos e fazendas dos suspeitos também foram sequestrados.
Os suspeitos teriam desviado materiais por meio do cancelamento de notas fiscais. Foram detectados 1,2 mil notas fiscais emitidas e canceladas pela empresa credora no período de dois anos, totalizando mais de R$ 13,5 milhões em mercadorias supostamente devolvidas ou desistência de compras.


