
Na sentença, o juiz Walter Nunes da Silva Júnior destaca a manifestação do Departamento Penitenciário Nacional (Depen), que afirmou que a permanência de Arcanjo em presídio federal é necessária, “tendo em vista que o preso ainda tem o potencial de desestabilizar o Sistema Penitenciário do Estado de Mato Grosso”.
O Ministério Público Federal também opinou pela permanência no sistema federal, considerando informações acerca da fragilidade do sistema em Mato Grosso, “em face da superlotação carcerária, situação que demonstra a falta de segurança compatível com a periculosidade do apenado em questão, o que desfavorece o seu retorno ao Estado de origem”.
Arcanjo foi inserido no sistema federal em agosto de 2007, quando foi transferido para a Penitenciária Federal de Campo Grande (MS), no mesmo dia da deflagração da operação “Arrego”, pelo Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco), que comprovou que mesmo de dentro da PCE ele continuava comandando o jogo do bicho. Em abril de 2013 seguiu para a Penitenciária Federal de Porto Velho (RO). Todas as tentativas da defesa de trazê-lo de volta a Cuiabá, para a PCE, foram frustradas nestes nove anos.
No pedido de renovação da permanência, a Secretaria de Estado de Justiça e Direitos Humanos do Estado destacou a função de liderança de Arcanjo em organização criminosa instalada no Estado e que o retorno do mesmo pode vir a financiar até mesmo planos de fuga. Além disso, foi destacado ainda que o possível retorno de Arcanjo para Mato Grosso o colocaria mais próximo do seu “braço direito” Célio Alves, que retornou do sistema penitenciário federal e está preso na PCE, e isso fortaleceria o poder de gestão de sua organização criminosa, vindo a intensificar suas atividades ilícitas, “motivo pelo qual deve ser mantido o mais distante possível de suas bases de atuação, tornando assim, mais difícil o fluxo de informações entre os integrantes da quadrilha e a formação de eventuais novas associações, viabilizando a efetiva desarticulação do grupo (…)”.


