O deputado e prefeito eleito de Sinop, Juarez Costa (PMDB), acusou hoje, na tribuna da Assembléia Legislativa, seu adversário na disputa pela prefeitura, Paulo Fiuza (PV), de comprar testemunhas para incriminá-lo na ação investigatória de abuso de poder econômico e político que resultou na cassação de seu registro de candidatura, inegibilidade por 3 anos e novas eleições em Sinop. “A eleição agora está diferente. Basta você entrar no pleito, não precisa mais pedir votos e fica em casa sentado. Acabada eleição, você compra algumas testemunhas e tenta tomar ou roubar o mandato de quem se elegeu com 70% dos votos”, disparou. “Ele (Fiuza) apresentou 12 testemunhas em juízo. 9 desmentiram. Um foi levado ao MP porque ofereceram-lhe aposentadoria e, em juízo, também desmentiu e disse que alguém ofereceu 10 litros de combustível. Perguntado pelo juiz quem (ofereceu) e quando não soube responder. O adversário fez um ensaio com carro Pálio branco com ticket combustível e depois foi ao posto (onde a promotoria apreendeu vales combustivel). Montou-se uma prova para tentar enganar a justiça dizendo que o candidato Juarez estaria distribuindo gasolina”, atacou o prefeito eleito. “Gastei menos combustível que o adversário e a alegação é que o vale era da Assembléia. Mesmo quando fizeram apreensão já havia prestação de contas da compra que eu paguei com cheque do candidato, depositada na conta da empresa e já havia prestação de contas com nota na Justiça Eleitoral”, emenda.
A prestação de contas de Juarez foi reprovada pelo Ministério Público e a justiça.
Juarez rebateu a acusação de uso da máquina estatal, o serviço reservado da Polícia Militar em prol de resguardar sua candidatura. Ele disse que Fiuza contratou um policial aposentado para segui-lo e investigar sua vida pessoal. “Em Sinop, o coordenador do Paulo Fiuza e uma funcionária foram em uma lan house tentar passar alguma coisa contra o candidato Juarez. O dono gravou e chamou a PM, que levantou e levou para o juiz mostrando o crime cometido pelo Fiuza. O criminoso é ele e o crime é imputado a mim”, atacou.
Juarez também rebateu a condenação que houve abuso de poder político em sua campanha. “Estou sendo punido porque o governador, a Serys, deputados e outros companheiros disseram que me apoiavam. Daí minha cassação. Esqueceu ele (juiz eleitoral) que na campanha de Nilson Leitão, em 2000, foram lá (em Sinop) o Dante do Antero como senador, Fernando Henrique Cardoso… e o juiz eleitoral da época era o mesmo que me pune. Qual é o mau de ter o apoio político ? qual o mau da aliança política que fizemos em prol de Sinop com 13 partidos ?”, questionou.
O deputado disse que está providenciando recurso e confiante que será diplomado.
Conforme Só Notícias já informou, Juarez foi cassado, nesta segunda-feira, porque o juiz eleitoral João Manoel Guerra e a promotora eleitoral da Comarca, Lais Glauce dos Santos, concluíram que foram doados vales combustível da Assembléia Legislativa em sua campanha. Os vales, com numeração e em nome da empresa ADM Representações foram apreendidos pelo MP durante a campanha. O juiz também considerou que houve abuso de poder político e uso da máquina estatal na campanha do prefeito eleito. E aguarda orientação do TRE para nova eleição em até 40 dias.
Outro lado:
O empresário Paulo Fiuza disse não quer “comentar o assunto agora. Prefiro tomar conhecimento detalhado e avaliar com meu advogado”. Fiuza denunciou Juarez ao Ministério Público no caso dos vales combustíveis, um dos principais motivos que causou sua reprovação de contas e cassação do registro de candidatura.
(Atualizada às 21:57h)
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