
“A prefeitura não está de modo algum a afastar a relevância dos serviços educacionais prestados pelos professores, nem mesmo da justeza da luta por melhores salários, porém, o fato é que o ente público, ao menos por ora, encontra-se engessado em acolher todas as exigências da categoria. Mas, frisa-se, uma parcela significativa das reivindicações foi atendida, qual seja, a adequação dos salários ao piso nacional”, declarou o magistrado, ao entender que os professores já recebem o valor que a Lei de Diretrizes da Educação determina.
O desembargador ressalta que o orçamento do município está em seu limite prudencial e as duas principais reinvindicações propostas pelo Sintep – equiparação salarial com os professores do Estado, que ganham R$ 1,7 mil enquanto os municipais R$ 1,6 mil, e diminuição da jornada de trabalho de 40 para 30 horas – causariam “grande impacto no orçamento do município”.
Para deferir o pedido da prefeitura, o relator entendeu que “admitir a interrupção deste tipo de serviço público essencial e contínuo é colocar em risco o ensino público regular e de qualidade, de maneira a acarretar prejuízos irreparáveis a toda coletividade escolar”.
A greve completa 35 dias hoje. Em decisão bastante contestada pela categoria, a prefeitura resolveu cortar os salários dos servidores em greve. Devido a esta medida, o Sintep acionou à justiça para reaver os valores descontados, porém, o pedido foi negado pelo desembargador.
Para indeferir o pedido do Sintep, o desembargador afirmou que “a deflagração da greve corresponde à suspensão do contrato de trabalho, ou seja, nesse período não há prestação de serviço, o que autoriza, a princípio, o desconto dos dias paralisados quando do pagamento do salário”.
Ao Só Notícias, a assessora jurídica da prefeitura, Adriana Gonçalves Pereira, disse que o Poder Executivo tem a intenção de pagar os salários descontados dos professores, caso eles venham a aceitar um acordo para repor os dias não trabalhados. “O aluno tem direito a 200 dias letivos. Ou seja, o aluno é o maior prejudicado. Agora, se o Sintep se comprometer a repor os dias de paralisação, no decorrer do ano, o prefeito me informou que pretende pagar o valor descontado”.
Nos últimos dias a greve vinha perdendo força justamente pelo corte nos salários. A secretária municipal de Educação, Gisela Faria Oliveira, disse que cerca de 80% dos profissionais já teriam voltado às salas de aulas. O município conta com 1,4 mil professores e cerca de 13 mil alunos.


