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O novo velho

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Tenho lido nos jornais reportagens especulando como será o novo governo. Penso que deva haver algum engano, pois a maioria dos eleitores quis continuar com o mesmo governo; os que queriam um novo foram derrotados. A opção foi mais do mesmo. Continua o mesmo governo Lula, talvez com alguma pequena mudança entre seus auxiliares. Até agravando o peso para o pagador de impostos. Por exemplo, agora se fala em criar mais um ministério, para André Janones, o da Comunicação Digital, para ser o porta-voz digital do governo, em lugar de ser o que a eleição determinou, porta-voz de quase 79 mil mandantes mineiros que lhe deram a procuração do voto. Janones diz quer não quer. O governo se renova aumentando para 39 o número de ministros. 

Além das promessas com que obteve votos, Lula não prometeu acabar com déficits ou endividamento, que causam inflação e juros altos. Portanto, não haverá cortes de gastos, a não ser para a Defesa, pois se sabe que soberania é apenas uma marca de fantasia. Cortes para as polícias federais, também, para provar que “acabar com a polícia” é um ato falho emergido das profundezas verdadeiras do inconsciente, assim como  “nesse quarto mandato a gente vai dizer o Brasil acabou”. Déficit fiscal mais endividamento público é igual a inflação, juros altos e insuficiente crescimento econômico.

Cortar despesas, nem pensar. O Ministro Boulos acaba de jogar uma pá de cal nos sonhos dos que acreditam em teorias econômicas de mercado, produtividade, iniciativa privada: “Tesouraço foi derrotado nas urnas. A agenda econômica é de quem ganhou.” José Guimarães completou: “Ajuste fiscal não está nas prioridades”. Foi essa a escolha da maioria. Cerca de 64 milhões de eleitores decidiram que assim será. Masoquismo ou não, essa foi a vontade da maioria expressa nas urnas, e assim será feito. A sorte está lançada, ainda que prejudique todos, inclusive os 60 milhões que queriam mudar. O irônico é que uma parte desses 60 milhões tem como consolo que vai ganhar mais juros, oriundos da dívida pública. Os mais pobres vão pagar mais juros, puxados pela dívida cada vez maior do governo.

Também foi decisão da maioria manter como donos do estado os que se adonaram dele ao usar ministérios, empresas públicas e estatais para negócios com que se locupletam e financiam a manutenção do poder. Faz parte da ideologia em que o estado é o dono da nação, e não o povo. Esse só serve para dar os votos que fantasiam isso tudo de democracia. Eleição é o último ato da tomada de poder, entregue legalmente pelo voto. São velhos métodos que, graças à falta de conhecimento, chamam de novo.

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