A Justiça de Mato Grosso manteve as prisões preventivas de cinco investigados na segunda fase da Operação Mãos à Obra, deflagrada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO), na última quarta-feira, em Sinop. A decisão, à qual Só Notícias teve acesso, foi proferida pela juíza Laura Dorilêo Cândido, durante audiência de custódia realizada no mesmo dia.
Entre os presos estão os servidores públicos municipais Valdinei Monteiro da Silva, Júlio Henrique Verdu Garcia e Fernando Dante Morari, além de dois empresários.
Durante a audiência, as defesas solicitaram a revogação das prisões preventivas. Os advogados de Fernando e Valdinei alegaram questões relacionadas às condições de saúde dos investigados. Já a defesa do casal argumentou que ambos possuem filhos menores que dependem deles e pediu, alternativamente, a aplicação de medidas cautelares diferentes da prisão. A magistrada, porém, não revogou as prisões durante a audiência. Na decisão, determinou que os pedidos das defesas fossem encaminhados aos autos principais, com abertura de vista ao Ministério Público Estadual para manifestação. Só Notícias apurou ontem que o MP se manifestou contra os pedidos.
A juíza determinou que, após a documentação do cumprimento integral das diligências autorizadas, os advogados fossem habilitados para ter acesso aos elementos já documentados da investigação. Também determinou que a secretaria de Estado de Justiça providenciasse vagas em unidades prisionais adequadas para os custodiados, caso ainda não tivessem sido disponibilizadas.
A operação investiga suspeitas de cobrança e pagamento de propina para favorecer processos administrativos, emissão de pareceres, aprovação e regularização de projetos, concessão de licenças e certificados na Secretaria Municipal de Planejamento Urbano e Habitação. Os fatos investigados teriam ocorrido entre 2017 e este ano.
Ao todo foram cumpridos cinco mandados de prisão preventiva e 17 de busca e apreensão, incluindo diligências na sede da secretaria. A Justiça também determinou o afastamento de seis agentes públicos, a suspensão das atividades econômicas de uma empresa investigada e medidas de bloqueio de valores que podem chegar a R$ 80 milhões. Durante o cumprimento de mandado, foram apreendidos mais de R$ 300 mil em espécie na casa de um dos alvos.
A promotora de Justiça Roberta Cheregatti Sanches e o delegado Getúlio Daniel, também detalharam as investigações. Conforme Getúlio, o esquema se “impregnou” na secretaria.



