O Tribunal do Júri da comarca de Sorriso condenou Welliton Sousa pelo homicídio qualificado de um adolescente de 17 anos, pela tentativa de homicídio qualificado do pai do adolescente e por integrar organização criminosa armada. A pena total foi fixada em 28 anos, um mês e 10 dias de reclusão, em regime inicial fechado.
Segundo o MP, Welliton forneceu a arma e prestou apoio à execução dos crimes e à fuga do atirador, que não foi identificado. Nos dois crimes contra a vida, os jurados reconheceram as qualificadoras do motivo torpe e do recurso que dificultou a defesa das vítimas.
Os crimes ocorreram na noite de 1º de maio de 2024, no bairro Mário Raiter. Conforme a acusação, o ataque foi motivado pela rivalidade entre facções criminosas, porque os envolvidos suspeitavam que a vítima tivesse ligação com um grupo rival. A mãe do adolescente negou que o filho integrasse facção.
Ao saber das ameaças, a mãe tentou retirar o adolescente da cidade. Enquanto providenciava uma passagem rodoviária, o pai saiu com o filho na tentativa de resolver a situação. Pai e filho foram à residência onde Welliton morava. No local, o homem que efetuaria os disparos embarcou no veículo das vítimas e as convenceu a seguir até uma região afastada, próxima a um milharal. Segundo a denúncia, Welliton acompanhou todo o trajeto em uma motocicleta e permaneceu nas redondezas para prestar apoio ao executor. Imagens de câmeras de vigilância registraram o encontro e a movimentação dos veículos, corroborando o acompanhamento das vítimas e o apoio à fuga do atirador.
Durante o ataque, Elinésio conseguiu sair do carro e fugir, sendo perseguido pelo executor. Mesmo atingido, escondeu-se no milharal e buscou ajuda posteriormente. Andrei, também ferido, conduziu o veículo até as proximidades da residência de familiares. Socorrido e encaminhado ao Hospital Regional de Sorriso, o adolescente não resistiu aos ferimentos. O pai recebeu atendimento médico e sobreviveu ao ataque. Após os disparos, Welliton buscou o executor de motocicleta, deu-lhe fuga e recebeu o revólver de volta. A arma foi localizada em sua residência no dia seguinte. O confronto balístico confirmou que o projétil retirado do corpo do adolescente foi disparado pelo revólver apreendido.
Segundo o MP, “os dados extraídos do celular de Welliton revelaram mensagens sobre a guarda e a ocultação da arma, além de fotografias, vídeos e conversas que evidenciaram seu vínculo com o grupo criminoso e sua atuação em atividades de vigilância, monitoramento de viaturas policiais e cumprimento de ordens da facção”.
O Ministério Público do Estado foi representado em plenário pelo promotor de Justiça Luiz Fernando Rossi Pipino, titular da 2ª Promotoria de Justiça Criminal de Sorriso.
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