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Quatro anos

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Alexandre Garcia

Lula não é novidade para o brasileiro, mas no dia seguinte à reeleição, o mercado reagiu derrubando a Bolsa em minutos após a abertura e fazendo o dólar disparar de abaixo de 5 reais para quase 6 reais. Os juros das aplicações subiram para 15,25% a.a. O Tesouro teve que recomprar quase 15 bilhões de reais em papéis. Tudo na primeira manhã após a eleição mostrar que Lula continuará por mais quatro anos. Ora, não foi mudança de um governo com Paulo Guedes para Lula; foi de Lula para Lula. Apenas continua. Então por que o susto? Que macro dificuldades assustam os que operam com o capital das empresas abertas e com o mercado exterior? Que mudanças esperam aqueles que já vêm operando as oscilações dos mercados de capitais e de câmbio desde 2023, quando começou o terceiro mandato de Lula? Talvez seja isto:  não esperam mudanças, pois se não houver significa piora no endividamento público e acúmulo de déficits nas contas do governo.

Lula nesses dias tem dito que “nós vamos mudar o jeito de governar este país”. Soa genérico e se abre a interpretações diferentes. Não é crível que esteja fazendo uma autocrítica. Não é crível que vá cortar ministérios, despesas, rever área social, combater endividamento. Ou seria uma ameaça, pois fala em maior participação do povo, o que acontece na democracia direta da Suíça, mas pode soar como ignorar o Congresso dos representantes do povo e dos estados, onde ficou com minoria de deputados, senadores, com a última eleição. Jânio Quadros, Collor e Dilma deram as costas para o Congresso e não acabaram bem. Seria essa incerteza que fez a bolsa acionar o circuit braker e a busca de proteção no dólar e ouro?

Também há as incertezas deixadas nos dois debates. Lula na Band dando as costas para a câmera e cometendo o ato falho de “o Brasil acabou”;  depois, na Globo, confuso com o temário do painel, sem ouvir respostas de Flávio, lento no raciocínio e, de novo um ato falho, o de acabar com a polícia. Lula já não é o jovem ágil; é o presidente mais idoso da história do Brasil, repetindo as idéias de gastança e de que o consumo gera crescimento, sem se preocupar com o endividamento. Seriam mais quatro anos de agravamento das consequências do desequilíbrio fiscal e da dívida pública.

A tudo isso se soma a insegurança jurídica e institucional criada pelo Supremo, acrescida da insegurança eleitoral agravada por Zanin. O primeiro turno fez a Câmara e boa parte do Senado sob medida para Flávio, mas um Congresso oponente a Lula. Juntam-se então dificuldades econômicas, jurídicas e políticas para o próximo quadriênio.  Mas não se pode dizer, como o ato falho de Lula, que acabou o Brasil, mas não vai ser fácil. Flávio se livrou desse legado; Lula vai ter quatro anos sem a justificativa da “herança maldita”. 

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