Mato Grosso conquistou duas medalhas nos Jogos da Juventude, disputados em Foz do Iguaçu (PR). Beneficiados pelo Projeto Olimpus, programa de incentivo ao esporte de alto rendimento, Yasmin Figueiredo, de 16 anos, faturou a prata no taekwondo na última terça-feira, e Neymar Daniel Alves, também de 16 anos, garantiu o bronze no judô na quarta-feira.
As histórias de Yasmin e Neymar revelam trajetórias distintas, mas marcadas pela influência familiar, pela dedicação aos treinos e pela busca de espaço no esporte de alto rendimento. Enquanto Yasmin encontrou no taekwondo uma nova paixão após iniciar trajetória no balé, Neymar deixou os campos de futebol para construir o próprio caminho nos tatames.
Natural de Água Boa, Yasmin Figueiredo começou a trajetória esportiva aos sete anos, com aulas de balé. Aos 12 anos, inspirada pelo pai, que já havia competido no taekwondo, e pela irmã, decidiu experimentar a modalidade. A escolha transformou sua rotina e abriu caminho para conquistas nacionais e internacionais. “Eu fazia balé antes. Minha irmã começou primeiro no taekwondo e, quando vi ela trocando de faixa, falei que também queria fazer. Antes de tudo, meu pai já lutava e competia. Aí eu quis também”, relembra.
A experiência adquirida na dança contribuiu para o desenvolvimento de habilidades importantes no taekwondo, como flexibilidade, equilíbrio e precisão dos movimentos. “A transição foi bem diferente, porque são coisas muito opostas. Mas a flexibilidade e a abertura que eu usava no balé ajudam bastante nos chutes altos do taekwondo”, explica.
A conquista da medalha de prata na categoria até 44 quilos representa uma evolução significativa em relação à participação nos Jogos da Juventude de “Fiquei um pouco triste por ter perdido a final, mas, ao mesmo tempo, estou muito feliz com a medalha. Quero dedicar essa conquista à minha mãe e ao meu pai”, declarou.
Com nome inspirado em dois campeões olímpicos do futebol brasileiro, Neymar Daniel Alves também escreveu um capítulo importante de sua trajetória esportiva nos Jogos da Juventude. O judoca mato-grossense conquistou a medalha de bronze na categoria até 90 quilos após seis combates, com apenas uma derrota, nas quartas de final. Na disputa que garantiu seu lugar no pódio, venceu Henry Schotten, de Rondônia, com um ippon, golpe que encerra imediatamente a luta.
Antes de encontrar a vocação no judô, Neymar chegou a frequentar escolinhas de futebol por incentivo do pai, Izaías, torcedor do Flamengo. O nome do atleta surgiu de um acordo familiar: o pai desejava homenagear Neymar, campeão olímpico em 2016, enquanto a mãe, Cristiane, preferia Daniel. Com o sobrenome Alves, a combinação acabou por reunir os nomes de dois medalhistas de ouro do futebol brasileiro.
A curiosidade chama a atenção de outros participantes dos Jogos da Juventude, que frequentemente pedem para conferir seu crachá. “Muitas pessoas ficam impressionadas e não acreditam, é um nome bem incomum mesmo. Muita gente pede para tirar foto do crachá aqui”, conta.
Apesar da ligação do nome com o futebol, foi a mãe quem incentivou Neymar a experimentar o judô. Cristiane desejava praticar a modalidade desde a adolescência, mas não teve oportunidade. Em 2023, após resistir à ideia, o filho aceitou o desafio e descobriu uma nova paixão. “No começo eu realmente não queria, mas gostei muito da arte. Eu não parei mais e agora estou aqui, competindo no alto rendimento”, afirma.
Com o bronze conquistado em Foz do Iguaçu, Neymar já estabelece novos objetivos para a carreira. Sua principal meta é conquistar o título brasileiro sub-18 em 2027, última temporada em que poderá disputar a categoria. “O meu sonho mais próximo é ser campeão brasileiro sub-18 no ano que vem, em minha última temporada na categoria”, destaca.

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