O Tribunal do Júri de Cuiabá condenou, ontem à noite, Jackson Pinto da Silva a mais de 31 anos e três dias de prisão pelo feminicídio da esposa, Nilza Moura de Sousa Antunes, de 64 anos. Ele também foi condenado pelos crimes de ocultação de cadáver e comunicação falsa de crime. A pena foi fixada pela juíza presidente do júri, Mônica Catarina Perri Siqueira, em regime inicial fechado, além de um mês e três dias de detenção, em regime aberto. O condenado também deverá pagar 15 dias-multa e indenização equivalente a 50 salários mínimos aos sucessores da vítima.
Conforme a denúncia do Ministério Público de Mato Grosso, o crime ocorreu na manhã de 4 de maio deste ano, na residência do casal, no bairro Parque Cuiabá, na capital. Segundo a acusação, Jackson matou a esposa por asfixia mecânica enquanto ela dormia, impedindo qualquer possibilidade de defesa.
O MP sustentou que o feminicídio ocorreu em um contexto de violência doméstica e familiar, com menosprezo à condição feminina. A acusação também apontou motivação patrimonial, indicando que o réu teria adotado medidas para assumir o controle dos bens e recursos financeiros da vítima, incluindo movimentações bancárias em benefício próprio.
Após o assassinato, segundo as investigações, Jackson transportou o corpo da esposa para outro imóvel pertencente à vítima e providenciou o enterro com o auxílio de maquinário contratado previamente, sob a justificativa de realização de obras no local. A conduta resultou na condenação por ocultação de cadáver. De acordo com a acusação, o réu também tentou dificultar as investigações ao retirar equipamentos de armazenamento de imagens da residência e criar uma versão falsa para simular o desaparecimento da mulher.
Ainda conforme o Ministério Público, Jackson utilizou o celular de Nilza para enviar mensagens a familiares, simulando uma situação de sequestro e exigindo o pagamento de resgate. O condenado também procurou a polícia para registrar uma ocorrência com informações falsas. A versão apresentada foi confrontada com as provas reunidas durante as investigações, que permitiram esclarecer a dinâmica do crime e localizar o corpo da vítima.
A acusação foi sustentada em plenário pelo promotor de Justiça Vinícius Gahyva. Os jurados acolheram a tese do Ministério Público e reconheceram a responsabilidade de Jackson pelos três crimes.
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