O projeto FlebTrack, da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) Campus Sinop, já avaliou e beneficiou diretamente mais de 130 pacientes adultos internados na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do município desde o início de suas atividades, em maio deste ano. O número representa mais de 40% da meta inicial de 300 pacientes prevista pela iniciativa, que integra ações de ensino, pesquisa e extensão voltadas à segurança do paciente.
Coordenado pelo professor do curso de Enfermagem da UFMT Campus Sinop, Kaio Keomma, o projeto surgiu a partir da experiência do docente durante os estágios da disciplina realizados na UPA. Em parceria com profissionais da unidade, a equipe identificou a necessidade de aproximar o conhecimento acadêmico das boas práticas de prevenção, rastreamento e manejo da flebite — uma inflamação da veia associada, entre outros fatores, ao uso de cateteres intravenosos periféricos.
Os acessos venosos periféricos são utilizados para a administração de medicamentos, reposição de líquidos e eletrólitos e transfusão de hemocomponentes. Apesar de sua ampla utilização nos serviços de saúde, esses dispositivos podem apresentar complicações, como obstruções, problemas nas coberturas e conexões e sinais de flebite.
A equipe do FlebTrack atua na unidade de internação adulta da UPA todas as sextas-feiras no período da tarde. Participam dos plantões o professor coordenador e dois estudantes de Enfermagem, que se revezam ao longo das semanas. Durante as atividades, os pacientes com acesso venoso periférico são avaliados. A equipe observa o local de inserção do cateter, a presença de sinais de flebite, as condições da cobertura, das conexões e do lúmen do dispositivo, além de verificar sua permeabilidade.
Quando são identificadas necessidades de intervenção, são realizadas ações como salinização, desinfecção das conexões, flushing com solução salina, substituição de componentes e novas punções venosas. A equipe também orienta os profissionais sobre boas práticas no manejo dos acessos vasculares. Os dados coletados durante as avaliações e intervenções são registrados para o acompanhamento de indicadores e a análise contínua da assistência prestada.
Até o mês passado, o projeto havia desenvolvido atividades presenciais durante 14 semanas de atuação no serviço. Além da avaliação de mais de 130 pacientes, foram realizadas intervenções de manutenção dos dispositivos, ações educativas, reuniões de planejamento e acompanhamento sistemático dos indicadores. Entre os pacientes avaliados, 82% apresentaram alguma necessidade de manutenção do acesso vascular. As situações identificadas incluíram problemas relacionados ao lúmen dos dispositivos, às coberturas e às conexões. Aproximadamente um em cada dez pacientes precisou de uma nova punção venosa para a instalação de outro acesso, principalmente em razão de obstrução, tempo de permanência do dispositivo ou sinais mais avançados de flebite.
Também foram identificados sinais de flebite em 21% dos pacientes avaliados. O rastreamento sistemático permite reconhecer os casos precocemente, discutir as situações com a equipe assistencial e adotar as medidas necessárias para evitar a progressão da complicação.
O FlebTrack beneficia diretamente os pacientes adultos internados na UPA que utilizam cateter intravenoso periférico. A iniciativa também contribui para a qualificação dos profissionais do serviço e para a formação dos estudantes de Enfermagem, que vivenciam situações reais de cuidado no Sistema Único de Saúde (SUS). Atualmente, a equipe é composta por oito integrantes: um docente coordenador, uma estudante bolsista e seis estudantes voluntários do curso de Enfermagem da UFMT.
Para o professor Kaio Keomma, a criação do projeto está relacionada à necessidade de fortalecer a integração entre ensino e serviço, com foco em um tema diretamente associado à segurança do paciente e à qualidade da assistência. A flebite integra a agenda de organizações e instituições de saúde, como a Organização Mundial da Saúde, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária e o Ministério da Saúde.
Além das ações assistenciais e educativas, o projeto contribui para a produção de conhecimento. A equipe estrutura uma linha de investigação sobre acesso vascular, flebite e qualidade do cuidado, aproximando ensino, pesquisa e extensão de um problema concreto dos serviços de saúde.
O atendimento do projeto ocorre no próprio cenário assistencial da UPA e não é oferecido por livre demanda. Durante os plantões, os pacientes adultos internados que atendem aos critérios do projeto são identificados e convidados a participar. Para os estudantes, a participação ocorre por meio das oportunidades de extensão vinculadas à UFMT. Atualmente, o projeto atua exclusivamente na unidade de internação adulta da UPA.


