A Polícia Civil deflagrou, hoje, a Operação Iurará, com o objetivo de combater a caça ilegal de várias espécies de tartarugas no Parque Estadual do Araguaia, região leste de Mato Grosso. São cumpridas 8 ordens judiciais de busca e apreensão. Os alvos dos mandados são cinco propriedades rurais de Ribeirão Cascalheira, dois endereços residenciais em Goiânia e um endereço comercial em Aparecida de Goiânia (GO).
Os suspeitos são investigados pela Delegacia Especializada do Meio Ambiente (Dema) por diversos crimes contra a fauna silvestre como venda, comércio, caça e abate de animal silvestre, dano ambiental e associação criminosa. As investigações apontam a suspeita de ataques sistemáticos ao Refúgio de Vida Silvestre (RVS) Quelônios do Araguaia, unidade de conservação (UC) na margem direita do Rio das Mortes, localizada nos municípios de Ribeirão Cascalheira, Cocalinho e Nova Nazaré.
Conforme apurado, o suposto líder é um fazendeiro e empresário do ramo de cosméticos, dono de uma propriedade na margem esquerda do Rio das Mortes, em Ribeirão Cascalheira, bem em frente à unidade de conservação. Os outros envolvidos são pessoas ligadas ao fazendeiro. Entre elas, a esposa e funcionários. Os indícios são de que os produtos da caça são vendidos de forma clandestina.
Entre setembro e outubro, na seca, uma das espécies caçadas, a tartaruga-da-Amazônia, sobe às praias que aparecem nos rios da região para se reproduzir. É quando esses animais, também chamados de iurará, fazem a desova. Por isso, esse também é o período mais visado por caçadores ilegais, que vão até a região atrás dos animais. Além da tartaruga-da-Amazônia, a caça envolve outras espécies de tartarugas (quelônios) como o cágado.
A área investigada faz parte de um conjunto de unidades de conservação no Vale do Araguaia. Entre elas, está o Parque Estadual do Araguaia, uma das maiores áreas de conservação estadual.
O parque é de proteção integral e tem mais de 223 mil hectares, situado na faixa de transição entre o cerrado e a floresta amazônica. Por isso, reúne fauna, flora e paisagens muito variadas. Há campos que alagam na cheia, campos de murundus, cerrado, cerradão, mata inundável e mata seca.
Na época das chuvas, os dois rios transbordam e cobrem boa parte da área. A região faz parte da Planície do Bananal, também chamada de Pantanal do Araguaia. No local, vivem espécies como o lobo-guará, o veado-campeiro, o boto-cor-de-rosa e várias tartarugas. O parque também funciona como corredor ecológico. É o ponto mais ao sul de uma sequência de unidades de conservação e terras indígenas ao longo da margem mato-grossense do Araguaia, com a Ilha do Bananal do outro lado do rio. Um dos objetivos legais da unidade é justamente permitir que os animais circulem entre essas áreas.
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