O presidente do Cuiabá, Cristiano Dresch, declarou ser favorável à Medida Provisória que proíbe a exploração, oferta, intermediação e publicidade de apostas de quota fixa no Brasil. Em entrevista ao Estadão, porém, o dirigente afirmou não acreditar que a iniciativa será suficiente para encerrar definitivamente o mercado de apostas no país. “Sou a favor da medida provisória, mas não acredito que vai acabar com esse negócio”, declarou Dresch.
Dresch também criticou a maneira como os clubes de futebol utilizaram os recursos provenientes dos patrocínios de empresas de apostas. Segundo o presidente do Cuiabá, os valores foram direcionados principalmente para o aumento dos salários dos jogadores, sem investimentos significativos em outras áreas dos clubes. “O futebol poderia ter feito um bom uso desse dinheiro. O que os times fizeram com esse dinheiro? Aumentaram o salário do jogador, só isso. Passou a transferir mais renda ainda para jogadores”, afirmou.
O dirigente citou ainda clubes paulistas ao questionar os efeitos dos investimentos das casas de apostas no futebol. Na avaliação de Dresch, mesmo com o aumento das receitas provenientes dos patrocínios, algumas equipes continuam enfrentando dificuldades financeiras. “Ninguém investiu em estrutura, ninguém pagou dívida, né? Você está aí em São Paulo, tem o São Paulo, Corinthians e Santos hoje numa situação caótica na questão financeira. Para que veio esse acréscimo?”, questionou.
Dresch também comentou o posicionamento contrário de clubes à MP. Flamengo, Palmeiras, Santos, Fluminense e outras equipes das Séries A e B se manifestaram contra a medida e, em nota conjunta, classificaram a proposta como “o fim do futebol brasileiro”. O presidente do Cuiabá criticou essa avaliação feita pelos clubes. “Aí os clubes falam assim: ‘Pô, é o fim do futebol brasileiro’. Pelo amor de Deus, né? Achei uma declaração infeliz”, finalizou.
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