O delegado Victor Hugo, da Delegacia Especializada de Repressão ao Crime Organizado (Draco), detalhou hoje a prisão de uma mulher conhecida como “Angeliquinha”, capturada ontem em Santa Cruz de la Sierra, na Bolívia. A ação foi realizada em conjunto pela Polícia Civil de Mato Grosso e Polícia Boliviana. Apontada como uma das lideranças de uma facção criminosa com atuação no extremo norte do Estado, especialmente em Alta Floresta e região, ela estava foragida desde agosto do ano passado, da Penitenciária Feminina Ana Maria do Couto May, em Cuiabá. Ela possui seis mandados de prisão em aberto e mais de 260 anos em condenações por crimes como homicídios, tráfico de drogas e organização criminosa.
O delegado explicou que Angélica será submetida aos procedimentos da Justiça boliviana, que deverá definir a deportação ou expulsão. Depois, ela será encaminhada a Mato Grosso para voltar ao sistema penitenciário. Conforme Victor Hugo, as investigações apontaram que ela permaneceu na cidade boliviana desde a fuga e que foram identificados procedimentos estéticos realizados para alterar sua aparência. “Ela tinha várias cirurgias estéticas e agora ela começou a mudar o rosto com essa intenção de ludibriar eventuais ações em favor dela”, acrescentou.
O delegado também relatou que a investigada levava uma vida de luxo na Bolívia. “Ela vivia vida de luxo, com a casa extremamente luxuosa em Santa Cruz de la Serra, com piscina e tudo mais. Então ela tinha, o lucro dos valores do tráfico era todo revertido em favor dela, em favor da vida dela, que ela vivia lá em Santa Cruz”, declarou.
De acordo com Victor Hugo, ela exercia controle sobre atividades como extorsões a garimpos, tráfico de drogas e entrada e saída de armamentos na região de Alta Floresta. “Ela é a mandante de, vamos colocar, 80% dos homicídios praticados por facção criminosa na cidade de Alta Floresta e circunvizinhanças”, afirmou o delegado. Ele também disse que, mesmo presa, ela continuava exercendo influência sobre a organização criminosa e mantinha uma posição de superioridade em relação a outras detentas.
Victor Hugo afirmou ainda que as investigações apontam que a mulher continuava em contato com integrantes subordinados enquanto estava na Bolívia. A possível atuação dela na região fronteiriça, incluindo eventual participação na entrada, saída e negociação de drogas, será aprofundada pela Polícia Civil. “Assim, é o que a gente vai agora partir para investigar com dados de investigação, telemáticos, para ver qual era a real atuação dela e a real posição dela ali em Santa Cruz de la Serra, e por que ela ficou naquela cidade”, explicou.
O delegado também comentou a investigação sobre familiares da mulher, que foram alvos da Operação Showdown, deflagrada em Alta Floresta. Segundo ele, os parentes não atuariam diretamente com armas ou drogas, mas seriam suspeitos de colaborar com a organização por meio de repasse de informações e lavagem de dinheiro.
Victor Hugo citou ainda movimentações financeiras atribuídas à filha dela. “Uma menina de 20 anos, com uma renda que não existe, uma renda inexistente, movimentou R$ 20 milhões na conta dela. Em dois anos, 20 milhões. Três empresas fachadas”, afirmou.
Sobre a fuga da penitenciária, o delegado disse que uma eventual falha no sistema será apurada administrativamente. “Ela vai permanecer presa, ela volta para o sistema do Mato Grosso. Houve uma falha ali que vai ser apurada, e administrativamente, não cabe a mim dizer de quem foi a falha dentro do sistema”, declarou.
A investigada deverá retornar a Mato Grosso após os procedimentos na Bolívia para cumprir as condenações e responder aos mandados judiciais em aberto.
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