Três estudantes e um professor da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) participaram, entre os dias 7 e 11 deste mês, da 21ª Conferência Europeia de Neurobiologia de Drosophila (NeuroFly 2026), realizada na Universidade de Colônia, na Alemanha. O grupo apresentou pesquisas que utilizam a mosca-da-fruta (Drosophila melanogaster) para investigar questões relacionadas ao Parkinson, aos efeitos de agrotóxicos e aos mecanismos da epilepsia.
Os trabalhos foram desenvolvidos pelo Laboratório de Metabolismo Mitocondrial e Neurotoxicologia da UFMT, coordenado pelo professor doutor Anderson Oliveira. Participaram do evento as mestrandas Maria Elisa Fonseca e Brenda Daiany Neves, além do estudante de iniciação científica Enzo Vinnicius Santana.
A pesquisa de Maria Elisa, mestranda em Ciências da Saúde, avalia os possíveis efeitos protetores da cafeína em modelos de doença de Parkinson induzidos por rotenona, substância utilizada como inseticida e piscicida. O estudo busca verificar se o composto é capaz de reduzir o estresse oxidativo e a neuroinflamação nas regiões cefálica e torácica das moscas.
Brenda Daiany, mestranda em Química, desenvolve uma pesquisa na área de neurotoxicologia sobre os efeitos da exposição ao Diquat, herbicida utilizado na agricultura. O trabalho analisa alterações comportamentais e metabólicas provocadas pelo contato contínuo com o produto e busca compreender seus possíveis impactos sobre o sistema nervoso.
Já Enzo Vinnicius investiga a epilepsia por meio de um protocolo de exercício físico em moscas, utilizando o método TreadWheel. A pesquisa avalia de que forma a atividade motora pode atuar como intervenção complementar na modulação de crises e na sobrevivência metabólica.
Os três estudantes receberam o Travel Fellowship, concedido pela organização do evento a pesquisadores com trabalhos de destaque. O benefício garantiu o reembolso das taxas de inscrição na conferência.
Para viabilizar a viagem, o grupo também contou com recursos de editais das pró-reitorias de Pós-Graduação (PROPG), Pesquisa (PROPESQ) e Ensino de Graduação (PROEG), além de rifas e uma mobilização nas redes sociais para arrecadação de recursos destinados às despesas com passagens e hospedagem.
Para o professor Anderson Oliveira, a participação no evento representa uma oportunidade de amadurecimento acadêmico e de maior autonomia para os estudantes.
“Para os nossos estudantes e para o nosso laboratório, essa vivência é transformadora. Como pesquisador e orientador, o que a gente mais busca é ver os alunos enxergarem a relevância de um projeto e darem os próximos passos com autonomia. Ver a maturidade deles respondendo a pesquisadores estrangeiros e caminhando com as próprias pernas é um orgulho imenso. Tenho certeza de que eles darão continuidade à linha de pesquisa em Drosophila na UFMT de forma brilhante no futuro”, avaliou.
Maria Elisa destacou a troca de experiências durante a conferência. “Conversar com pessoas que trabalham com temas parecidos, apresentar nossa pesquisa, discutir resultados e explorar novas ideias traz perspectivas que não tínhamos pensado antes para o nosso próprio trabalho. Estamos voltando para o Brasil cheios de ideias e muita inspiração para continuar a pesquisa na UFMT”, afirmou.
Brenda também ressaltou as novas possibilidades abertas pela participação no evento. “É uma experiência surreal. Como jovem pesquisadora, jamais imaginei viver um momento como esse. O evento abriu minha cabeça para uma quantidade enorme de trabalhos e ideias inéditas, mostrando caminhos e metodologias na neurociência que eu nunca tinha visto antes”, disse.
Para Enzo Vinnicius, a experiência também representa uma oportunidade de divulgar a produção científica brasileira. “Ser representante de uma pesquisa brasileira em um congresso internacional é uma oportunidade de apresentar o trabalho para pesquisadores de outros países, trocar conhecimentos e conhecer novas formas de fazer ciência. Também é uma responsabilidade, pois você representa seu grupo de pesquisa, sua instituição e, de certa forma, a ciência brasileira.”
O grupo espera que a participação no NeuroFly contribua para ampliar a visibilidade das pesquisas desenvolvidas em Mato Grosso e facilite a busca por novos investimentos e parcerias para a continuidade dos estudos.
Anderson Oliveira também destacou que o laboratório já trabalha na preparação para a próxima edição do evento, prevista para 2028, em Portugal. “A experiência no NeuroFly é ímpar e de suma importância não apenas para o nosso grupo, mas para o fortalecimento da pós-graduação e da própria universidade. Já estamos de olho no próximo ciclo e iniciando o planejamento para participarmos da edição de 2028, que acontecerá em Portugal. Queremos levar mais resultados e consolidar a pesquisa feita em Mato Grosso no cenário global”, completou.
A PROPESQ/UFMT parabenizou os pesquisadores que participaram do evento e destacou a importância da presença da universidade em conferências científicas para a divulgação dos trabalhos, a troca de conhecimentos e a construção de novas parcerias.
A universidade mantém, por meio da PROPESQ e em parceria com outras pró-reitorias, editais de apoio à participação em eventos científicos nacionais e internacionais. Os programas contemplam estudantes de iniciação científica e tecnológica, docentes e técnicos.
“A pesquisa desenvolvida na UFMT tem qualidade e reconhecimento, e a participação em eventos científicos é parte importante desse processo. Ao apoiar a presença de estudantes, docentes e técnicos nesses espaços, ampliamos as possibilidades de divulgação da produção científica, de intercâmbio de conhecimentos e de construção de novas parcerias para a pesquisa”, destacou o pró-reitor de Pesquisa da UFMT, Bruno Araújo.
Os editais de apoio se somam a outras iniciativas da PROPESQ voltadas ao fortalecimento da pesquisa, da iniciação científica e tecnológica e da formação de novos pesquisadores.
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