O Sete de Setembro foi um retrato do abismo que o estado brasileiro criou ao encastelar-se numa corte apartada da nação, a serviço da qual o governo existe. Nos palanques armados na Esplanada, estava o Brasil oficial, os comissionados, autoridades federais dos três poderes. No amplo gramado, que já foi pisado por milhões num Sete de Setembro, apenas uns punhados de eleitores pagadores de impostos, origem do poder. Nunca vi uma parada da Independência assim, quase sem povo. Em Brasília o povo que saiu de casa no aniversário da independência foi para o Eixo Rodoviário, o Eixão, comemorar a datal e exigir que o estado brasileiro se livre da imoralidade de que está contaminado nos três poderes.
O Brasil oficial trouxe faixas de marqueteiro com a palavra Soberania, com o objetivo de converter em peça de propaganda eleitoral, as bravatas do Presidente contra Trump mas ninguém explicou de quem é a soberania, muito menos para que serve, já que o povo perdeu a soberania, porque não decide nada, e ninguém, no mundo oficial quer ouvir o que foi exigido na Avenida Paulista lotada de gente com críticas aos presidentes da República e do Senado, a ministros do Supremo, ao Procurador-Geral, ao diretor da Polícia Federal, Andrei Rodrigues – que teve na tribuna presidencial a sua Ilha Fiscal, seu último baile, embora sem a presença do Imperador. No dia seguinte era defenestrado pelo Ministro André Mendonça, com apoio da maioria da 2ª Turma do Supremo.
A Semana da Pátria deste ano foi fértil em acontecimentos que se acumulam para criar algum desfecho importante. Cheia de simbolismo. Comemoramos a Independência e milhões são dependentes do governo, milhões estão jungidos aos tributos e juros, milhares estão presos por um inquérito ilegal, o estado-matriz quer que o país seja sua colônia, a palavra liberdade foi tratada como subversiva. E agora se usam todos os meios para manter os privilégios e as imoralidades que já são sabidas como óbvio ululante. Nunca um aniversário da Pátria presenteou seu povo com tantas oportunidades para corrigir os desvios. Um momento histórico que põe sob julgamento o próprio povo, como se fosse para demonstrar que merece o berço esplêndido em que nasceu.
A Paulista tem sido a ágora do Brasil, no coração do mais importante estado da federação. A voz da Paulista fez cair a Presidente Dilma. E agora pede a retirada da podridão que manipula o estado brasileiro, usando o suor de todos, derramado em forma de impostos. Diferente do impeachment de Dilma, o julgamento de agora é mais amplo e tem data marcada: 4 de outubro. A decisão que a origem do poder vai depositar nas urnas definirá o futuro de todos. O apartheid do Sete de Setembro na capital do país já não é um aviso; é o espelho da separação entre o estado e o povo a quem ele deveria servir. Retrato de uma quebra gravíssima, que pode ter consequências piores ainda. A eleição é o melhor caminho para corrigir a tempo.


