O artigo “Depressão em idosos na atenção primária e fatores associados”, escrito por Ageo Mário Cândido da Silva, docente da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), em parceria com Juliana Santi Sagin Pinto Bergamim, Amanda Martinez Lafetá, Ana Vitória Vobeto Pinto, Bruno Dutra Rodrigues, Emilly Maria Borba Pires e Léia Souza Tavares, da Universidade de Cuiabá, e Luciana Marques da Silva, da Universidade Federal de Rondonópolis (UFR) obteve destaque na Revista Sociedade Científica. A pesquisa contou com a participação de 373 idosos e mostrou que 29% apresentam sintomas depressivos, e vulnerabilidade, déficit cognitivo e comorbidades são os principais fatores associados.
O envelhecimento populacional é uma realidade no Brasil e em Cuiabá. O Censo 2022 registrou 32,1 milhões de idosos no país, alta de 56% desde 2010. Na capital mato-grossense, a população idosa já ultrapassa 56 mil residentes. Apesar do crescimento, a sociedade não está preparada para atender as demandas desse grupo, e os idosos enfrentam vulnerabilidades que contribuem para o aumento da depressão.
A maioria é do sexo feminino (63%), preta ou parda (57%) e vive sozinha (49%). Um quarto (27%) tem 75 anos ou mais, 26% têm renda inferior a um salário-mínimo (R$ 1.320) e 19% não sabem ler.
Os autores destacam que a vulnerabilidade foi o fator mais relevante. A depressão pode levar ao agravamento de doenças crônicas e à piora funcional. A associação com déficit cognitivo e comorbidades reforça a necessidade de uma abordagem integrada na Atenção Primária, com avaliação multidimensional do idoso.
A depressão em idosos pode se manifestar como: tristeza persistente, humor deprimido na maior parte do dia; perda de interesse em atividades antes prazerosas; alterações no sono e apetite; queixas físicas frequentes; e isolamento social.
As Unidades Básicas de Saúde são a porta de entrada para o cuidado. Os profissionais estão capacitados para realizar a triagem e o encaminhamento adequado.
Os autores apontam que o delineamento transversal não permite estabelecer relações de causa e efeito. A pesquisa foi realizada em uma única localidade (Cuiabá), o que limita a generalização dos resultados. Os dados baseiam-se em autorrelato, e a Escala de Depressão Geriátrica (GDS-15) é um instrumento de rastreamento; não substitui o diagnóstico clínico.
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