A mulher apontada pela Polícia Civil como uma das principais suspeitas de um esquema de desvio de veículos e fraudes em negociações comerciais foi presa hoje, em Sorriso. Ela era alvo de um mandado de prisão preventiva durante a Operação Pátio Paralelo, deflagrada ontem pela delegacia do município. Segundo o delegado Tiago Meira, a investigada havia conseguido fugir durante o cumprimento das ordens judiciais, mas foi localizada pelos investigadores e passou a ser monitorada. Nesta quinta, ela se apresentou na delegacia acompanhada do advogado. “Ao sair, o pessoal já ia abordar o veículo pra fazer a prisão, mas o advogado me ligou, informando que estava em diligência aqui na delegacia, porque que ela queria se apresentar”, relatou.
A Operação Pátio Paralelo investiga um grupo suspeito de envolvimento em desvio de veículos, fraudes em negociações comerciais, associação criminosa e lavagem de capitais. Segundo a Polícia Civil, os investigados teriam movimentado aproximadamente R$ 50 milhões em apenas um ano.
A investigação começou após a identificação de inconsistências financeiras e comerciais relacionadas às operações de uma concessionária de Sorriso. De acordo com a apuração, os suspeitos teriam utilizado a estrutura e a credibilidade da empresa para captar clientes e, posteriormente, desviar veículos usados entregues como parte do pagamento na compra de carros novos. Os veículos recebidos dos clientes, segundo a investigação, eram encaminhados para outras garagens relacionadas ao grupo, sem que os valores correspondentes fossem abatidos das entradas das negociações. Também teriam sido desviados pagamentos realizados pelos clientes para contas de pessoas físicas e jurídicas ligadas aos investigados.
Até o momento, a Polícia Civil identificou entre 15 e 20 possíveis vítimas, além da concessionária. O prejuízo diretamente identificado já supera R$ 2 milhões, mas o valor pode aumentar com o avanço das investigações. O delegado afirmou que a apuração ainda está em andamento e que a análise dos celulares apreendidos, extratos bancários e demais informações obtidas com as medidas judiciais poderá revelar novos envolvidos e esclarecer o caminho do dinheiro. “A gente vai ter o acesso às informações e esperamos que consigamos chegar até o final da linha, porque tem mais pessoas aí para serem investigadas”, disse.
Tiago Meira também afirmou que, até o momento, a mulher é apontada como o principal nome do esquema investigado. “Até esse presente momento, ela é o ponto principal das fraudes”, declarou. Durante os interrogatórios realizados, outros suspeitos teriam afirmado que também foram enganados pela investigada.
Na operação deflagrada ontem, foram cumpridas mais de 20 ordens judiciais, incluindo um mandado de prisão preventiva, sete de busca e apreensão, nove afastamentos de sigilo bancário e cinco bloqueios de ativos financeiros. Também foram determinadas medidas para apreensão de equipamentos eletrônicos, documentos, contratos, registros financeiros e veículos relacionados à investigação.
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