A Polícia Civil de Sorriso deflagrou, hoje, a Operação “Pátio Paralelo”, para desarticular um grupo investigado por suspeita de desviar veículos, aplicar fraudes em negociações comerciais, associação criminosa e lavagem de dinheiro. Segundo as investigações, o grupo teria movimentado aproximadamente R$ 50 milhões em um ano. A Justiça autorizou mais de 20 medidas judiciais, incluindo um mandado de prisão preventiva, sete de busca e apreensão em móveis e locais vinculados aos investigados e à empresa apontada como relacionada ao esquema, nove afastamentos de sigilo bancário e cinco bloqueios de ativos financeiros, além de outras medidas cautelares. As buscas também são para apreender celulares, computadores, notebooks, tablets, HDs, pendrives, cartões de memória, documentos, contratos, comprovantes de transferências, registros financeiros, veículos e outros materiais que possam contribuir com a investigação.
Também foi autorizado o acesso e a análise de dados armazenados nos equipamentos apreendidos, com objetivo de identificar a divisão de tarefas, a extensão da atuação dos investigados, a movimentação patrimonial e eventual participação de outras pessoas. A justiça determinou ainda o afastamento dos sigilos bancário, fiscal e telemático, permitindo a reconstrução do fluxo financeiro e a identificação da origem e destino dos recursos, além da obtenção de registros relacionados às comunicações dos investigados, bloqueio de ativos financeiros, sequestro de bens e indisponibilidade patrimonial de até R$ 2 milhões. Veículos encontrados durante as buscas também poderão ser sequestrados caso sejam identificados elementos que indiquem relação com os crimes investigados.
A operação é conduzida pelo Núcleo de Combate ao Crime de Estelionato e Lavagem de Dinheiro da delegacia de Sorriso após a identificação de inconsistências financeiras e comerciais em operações de uma empresa de venda de veículos. Os investigados teriam utilizado a estrutura e a credibilidade da empresa para atrair clientes, receber veículos usados como parte do pagamento e direcionar valores para contas bancárias de pessoas físicas e jurídicas ligadas ao grupo.
Os veículos entregues pelos consumidores, como entrada na compra de automóveis novos, segundo a investigação, teriam sido desviados para terceiros e, posteriormente, encaminhados a empresas relacionadas aos investigados, sem o devido registro e contabilização pela concessionária. A polícia identificou, até o momento, entre 15 e 20 possíveis vítimas, com prejuízo apurado superior a R$ 2 milhões mas pode aumentar com o avanço das investigações e a identificação de novos casos.
A decisão judicial que autorizou as medidas apontou indícios de repetição do mesmo modo de atuação, envolvendo a captação da confiança dos consumidores, obtenção de documentos para transferência dos veículos, desvio dos automóveis, manipulação de condições de financiamento e direcionamento de pagamentos para contas que não estariam relacionadas diretamente às negociações. A análise financeira durante a investigação indicou movimentação aproximada de R$ 50 milhões, em um ano, segundo a Polícia Civil.
Uma investigada teve a prisão preventiva decretada. Conforme a decisão judicial, ela teria exercido papel central na operacionalização do esquema, principalmente na captação de clientes, condução das negociações, recebimento de veículos, direcionamento de pagamentos e movimentação dos recursos.
De acordo com a Polícia Civil, os veículos recebidos dos consumidores constituíam um dos principais instrumentos utilizados para obtenção de vantagem patrimonial indevida. A decisão judicial aponta indícios de que automóveis entregues como parte do pagamento eram posteriormente transferidos para terceiros ligados à empresa investigada. As investigações continuam para identificar a destinação final dos valores e dos veículos, além de verificar eventual participação de outras pessoas físicas ou jurídicas no esquema.
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