Cinco Tipos de Medo, do diretor cuiabano Bruno Bini, foi anunciado, ontem à noite, como um dos 15 selecionados para concorrer a uma vaga na categoria de Melhor Filme Internacional no Oscar do ano que vem, a premiação mais antiga e prestigiada no cinema. O representante final do país será divulgado pela Academia Brasileira de Cinema no dia 16 do mês que vem. O filme está disponível para aluguel em plataformas de streaming.
Na trama, Murilo (João Vitor Silva, de O Agente Secreto e Sítio do Pica-pau Amarelo), um jovem músico que quase morreu durante uma internação, se apaixona por Marlene (Bella Campos, da novela Vale Tudo), enfermeira que vive uma relação abusiva com Sapinho (o cantor Xamã), traficante que controla o crime no bairro onde vivem e, ao mesmo tempo, é visto por parte dos moradores como responsável pela segurança da comunidade.
Bini se inspirou em um caso real ocorrido na periferia de Cuiabá para escrever o roteiro que retrata questões como violência, ausência do poder público e a relação de comunidades periféricas com o crime organizado. Rodado em Cuiabá, Várzea Grande e Santo Antônio de Leverger e protagonizado também pela cuiabana Bella Campos, o filme transforma cenários e elementos reais da região metropolitana do Vale do Rio Cuiabá em parte da identidade da produção.
Se selecionado, o longa será o primeiro produzido no Estado a disputar uma vaga no Oscar. No ano passado, também foi o primeiro filme mato-grossense a vencer o Kikito do Festival de Cinema de Gramado, no Rio Grande do Sul, um dos mais prestigiados do país.
Os principais filmes concorrentes de Cinco Tipos de Medo a vaga no Oscar são o paulista 100 Dias (dirigido por Carlos Saldanha, criador da franquia de animação A Era do Gelo), que dramatiza a conhecida história do brasileiro Amyr Klink, primeira pessoa a cruzar o oceano Atlântico em um barco a remo; o premiado filme brasiliense A Natureza das Coisas Invisíveis (de Rafaela Camelo); o cearense Feito Pipa (de Allan Deberton), vencedor do Kikito deste ano e premiado duas vezes no Festival de Berlim; e o mineiro Vicentina Pede Desculpas (de Gabriel Martins, diretor de Marte Um), um dos cotados para ganhar o Festival de Toronto, que ocorre no mês que vem no Canadá e é umas das principais vitrines para os votantes do Oscar.
Os demais pré-selecionados são A Conspiração Condor (André Sturm), A Fabulosa Máquina do Tempo (Eliza Capai), Ato Noturno (Marcio Reolon e Filipe Matzembacher), Dolores (Maria Clara Escobar e Marcelo Gomes), Herança de Narcisa (Clarissa Appelt e Daniel Dias), Nosso Segredo (Grace Passô), O Rei da Internet (Fabrício Bittar), Quando Vira a Esquina (Chris Alcazar), Malês (Antonio Pitanga) e Papagaios (Douglas Soares).
Nas últimas duas edições do Oscar, o Brasil conquistou também indicações à categoria principal de Melhor Filme com Ainda Estou Aqui, de Walter Salles (ganhou Filme Internacional) e O Agente Secreto, de Kleber Mendonça Filho. Fernanda Torres foi indicada a Melhor Atriz pelo primeiro e Wagner Moura a Melhor Ator pelo segundo. A imprensa estado-unidense passou a tratar o engajamento dos brasileiros nas campanhas do Oscar como um fenômeno à parte. A Variety destacou a transformação de Torres em uma espécie de estrela viral brasileira nas redes sociais, enquanto o Los Angeles Times observou que fãs brasileiros reagiam em massa a praticamente qualquer publicação sobre a atriz e o filme, levando posts a milhões de curtidas. O jornal relacionou essa mobilização a um sentimento de orgulho nacional – quando um artista brasileiro conquista reconhecimento internacional, parte do público encara a conquista como uma validação coletiva da cultura do país. O fenômeno também é associado à memória do Oscar de 1999, quando Fernanda Montenegro perdeu Melhor Atriz por Central do Brasil (Salles). O Los Angeles Times registrou que muitos brasileiros continuam tratando aquela derrota como uma das grandes “injustiças” do Oscar e retomam o assunto nas redes a cada temporada de premiações.
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