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Justiça transfere para Sinop júri de médico, mãe e outro acusado de duplo homicídio em Peixoto

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Só Notícias/Kelvin Ramirez (fotos: reprodução)

O Tribunal de Justiça de Mato Grosso decidiu, por unanimidade, transferir para Sinop o julgamento pelo Tribunal do Júri do médico Bruno Gemilaki Dal Poz (foto destaque), sua mãe Inês Gemilaki e Eder Gonçalves Rodrigues, acusados por duplo homicídio ocorrido em abril de 2024, em Peixoto de Azevedo (196 km de Sinop). A decisão acolheu o pedido de desaforamento apresentado pela defesa de Bruno.

O julgamento estava previsto para ocorrer em Peixoto de Azevedo, mas a Turma de Câmaras Criminais Reunidas entendeu que havia dúvida fundada sobre a imparcialidade dos jurados da comarca. Entre os fatores considerados estão a repercussão nacional do caso, o tamanho reduzido da população local, a relevância das vítimas para a comunidade e os vínculos sociais existentes entre envolvidos, testemunhas e moradores.

A decisão também destacou que o caso teve repercussão em âmbito nacional e que esse alcance poderia potencializar a formação prévia de opinião entre os moradores de Peixoto de Azevedo. A cidade possui cerca de 32,7 mil habitantes, segundo dados do Censo 2022 citados no acórdão. Outro ponto considerado foi a condição do padre José Roberto Domingos como vítima. Ele é responsável pela única paróquia católica do município. O acórdão aponta que essa relação direta com parcela significativa da comunidade poderia gerar dúvida sobre a imparcialidade objetiva do Conselho de Sentença.

Também foi considerada a condição de Rui Luiz Bogo, uma das vítimas fatais, descrito no processo como pioneiro e fundador de Peixoto de Azevedo. Para o Tribunal, essa circunstância, somada aos demais fatores, reforça a relevância comunitária das vítimas e a excepcionalidade do caso.

Inicialmente, o relator, desembargador Jorge Luiz Tadeu Rodrigues, havia votado contra o pedido de desaforamento. Durante a análise do processo, porém, o desembargador Orlando de Almeida Perri apresentou voto divergente defendendo a transferência do julgamento. Após analisar o voto-vista, o relator retificou seu posicionamento e aderiu integralmente à divergência. Segundo ele, não seria adequado correr o risco de realizar o julgamento “sob a sombra de uma possível parcialidade”. Com a mudança de voto, os demais integrantes acompanharam o entendimento pela transferência do júri para Sinop.

Segundo a denúncia, o crime ocorreu em 21 de abril de 2024, durante uma confraternização em uma residência de Peixoto de Azevedo. Os denunciados teriam entrado no imóvel e efetuado disparos de arma de fogo, que resultaram nas mortes de Pilson Pereira da Silva e Rui Luiz Bogo. O padre José Roberto Domingos e Erneci Afonso Lavall também foram atingidos.

Bruno, Inês e Eder foram pronunciados para julgamento pelo Tribunal do Júri. A decisão de pronúncia transitou em julgado em fevereiro de 2026, deixando o processo apto para seguir à fase de julgamento popular. O Juízo de Sinop deverá receber os autos e designar uma nova sessão plenária.

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