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Documentário que retrata a cultura xavante representará Mato Grosso no Festival de Gramado

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Redação Só Notícias (fotos: assessoria)

O documentário “Divino: Sua Alma, Sua Lente”, realizado com apoio do Núcleo de Produção Digital da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), Câmpus do Araguaia, foi selecionado para a mostra competitiva do 54º Festival de Cinema de Gramado. Considerado um dos principais eventos audiovisuais do país, o festival será realizado entre os dias 12 e 22 deste mês.

Dirigido por Gilson Moraes da Costa e Clea Torres, com codireção de Divino Tserewahú, o documentário apresenta a trajetória do cineasta indígena xavante, que há 35 anos registra a cultura, o cotidiano e as transformações de seu povo. A narrativa parte da chegada da primeira câmera VHS à comunidade de Sangradouro e acompanha a construção de sua relação com o audiovisual.

Para Gilson Costa, diretor do filme e coordenador do Núcleo, a seleção representa o reconhecimento de um trabalho desenvolvido coletivamente e amplia a visibilidade das ações realizadas pela Universidade na região do Araguaia. “Estar no Festival de Gramado é motivo de muito orgulho, porque levamos o nome da UFMT, do Câmpus do Araguaia e do NPD para uma importante janela de divulgação. O filme também apresenta as ações e os projetos de extensão desenvolvidos no âmbito da Universidade”, afirma.

Criado em 2014, o Núcleo atua na formação de profissionais, na difusão de produções e no apoio à realização de obras audiovisuais. O projeto de extensão oferece suporte técnico, equipamentos, logística, criação e acompanhamento de campo para produções independentes, especialmente aquelas relacionadas a questões sociais, comunidades vulnerabilizadas e minorias étnicas.

Em “Divino: Sua Alma, Sua Lente”, o Núcleo trabalhou em parceria com Clea Torres, egressa do curso de Jornalismo da UFMT e proponente do projeto. Segundo Gilson, a atuação continuada do NPD contribuiu para transformar Barra do Garças e a região do Médio Araguaia em referências na produção audiovisual de Mato Grosso. “Esses filmes ajudam a contar a história do Araguaia e a preservar nossa memória, diversidade étnica, riqueza cultural, paisagens e modos de vida. Essa é a força dos projetos de extensão voltados à cultura e às artes”, destaca.

Divino Tserewahú explica que o documentário registra sua história com a câmera, sua relação com a comunidade e os desafios enfrentados desde o início da carreira. Atualmente, ele também atua como professor de cinema indígena, compartilhando seus conhecimentos com jovens xavantes. “Cinema indígena é feito por nós, por indígenas, por meio dos nossos conhecimentos, dos nossos olhares e dos nossos pensamentos. Não é somente uma imagem bonita, mas aquilo que ela significa para o nosso povo”, afirma.

Para o cineasta, a participação em Gramado permitirá que novos públicos conheçam a realidade do povo xavante e a produção audiovisual desenvolvida nas aldeias. “Espero que as pessoas aprendam e passem a respeitar, por meio das imagens, a existência da cultura e da linguagem indígena. O festival vai possibilitar que muitos cineastas e espectadores conheçam o meu trabalho e as obras que faço no cinema”, conclui.

A produção foi financiada pela Lei Paulo Gustavo, por meio do Governo de Mato Grosso, da Secretaria de Estado de Cultura, Esporte e Lazer, do Ministério da Cultura e do Governo Federal, com apoio institucional do Núcleo de Produção Digital da UFMT.


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